Lula é aplaudido quatro vezes durante discurso na ONU

Presidente criticou aumento nos conflitos internacionais, defendeu o Tribunal Penal Internacional e também reforçou o direito a soberania dos países

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O discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi interrompido por quatro vezes por aplausos dos presentes na abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Numa fala de aproximadamente 20 minutos, o chefe do Executivo brasileiro fez duras críticas à falta de ações do mundo pela paz e tangenciou também questões internas do País, que passará por eleições no mês que vem.

O segundo aparte feito pelo público foi quando o brasileiro destacou que perseguir o Tribunal Penal Internacional (TPI) e seus integrantes é um estímulo para que crimes fiquem impunes. “A relatora especial da ONU, Francesca Albanese, não pode ser silenciada por dizer a verdade”, enfatizou.

Lula menciona a jurista e advogada italiana, que trata dos direitos humanos no território palestino ocupado e que está no cargo desde 2022. Ela foi alvo de sanções e pressões políticas por parte dos Estados Unidos e de aliados devido a seus relatórios e denúncias contundentes criticando as ações de Israel em Gaza.

O terceiro ponto em que o presidente foi interrompido por aplausos foi quando tratou da soberania dos países, indicando nominalmente o Brasil. Sem citar os Estados Unidos, o presidente Lula disse que, na América Latina e Caribe, a proximidade geográfica com “a maior potência militar do mundo” é inescapável – sobretudo num contexto de recrudescimento de tentações hegemônicas. “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, afirmou, acrescentando que é preciso haver parceiros com uma agenda positiva, que fomente o desenvolvimento e que diferenças ideológicas não devem ser obstáculos para maior integração entre vizinhos.

Por fim, Lula foi aclamado quando, ao mencionar o projeto do fim da escala de trabalho 6 x1, que garante ao trabalhador dois dias livres por semana, defendeu que a mudança é fundamental para aliviar a sobrecarga doméstica que ainda recai sobre as mulheres. “Estamos construindo um Brasil onde as mulheres não precisam pedir licença para ocupar espaços de poder ou se inserir no mercado de trabalho”, disse. “Um país livre do feminicídio, onde nenhuma mulher, dentro ou fora de casa, viva sob a ameaça da violência. Essa é uma causa que o mundo todo precisa abraçar.”

Houve aplausos mais uma vez, ao final do discurso, como é de praxe nesses eventos.

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