Lula diz que vai à cúpula do G7 para “colocar ordem na casa”

Recentes declarações do governo de Donald Trump motivaram decisão do presidente Lula em participar do evento

Caio César

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de abertura da Caravana Federativa, no Expo Center Norte. Foto: Ricardo Stuckert / PR
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de abertura da Caravana Federativa, no Expo Center Norte. Foto: Ricardo Stuckert / PR

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou, nesta quarta-feira (3), que participará da reunião da Cúpula do G7, que será realizada na França em junho, para “colocar ordem na casa” após a ofensiva do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra outros países.

“Eu nem ia no G7, mas agora eu vou. Porque é preciso que alguém tente colocar ordem na casa e dar um paradeiro nessa coisa que está acontecendo, de desmonte do multilateralismo, desmonte da democracia e desvalorização das instituições”, disse Lula durante reunião ministerial.

O presidente brasileiro também destacou que “se a ONU não está funcionando hoje” não será destruindo-a que será possível “consertar o mundo”.

De acordo com Lula, é preciso que novos países sejam considerados membros permanentes do Conselho de Segurança, o que pode tornar a organização mais útil diante da crescente onda de conflitos internacionais.

“Hoje nós somos quase 200 países, mas nós não apitamos nada, só fazemos discursos, quem decide são só cinco membros, e está na hora de fazê-los assumir a responsabilidade para melhorar a vida do planeta Terra”, concluiu.

Sem citar diretamente Trump, a fala de Lula ocorre após um órgão do governo americano divulgar um documento sugerindo mais uma imposição de tarifas aos produtos brasileiros e aos vindos de outros países, em uma nova onda do “tarifaço”.

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Em outro ponto do discurso, Lula também reforçou que, diante da possível tarifa, o governo brasileiro pretende procurar novos parceiros econômicos, se for necessário, e que o país não aceitará mais o “tratamento” dado pelo presidente norte-americano.

“O importante é vocês saberem que estamos em um momento decisivo para que a sociedade brasileira e até a sociedade mundial reconheça o fortalecimento da democracia no nosso país”, destacou. “A nossa luta é para que esse país não seja tratado como uma republiqueta insignificante. Nós somos grandes, temos história e não aceitaremos o tratamento que os EUA deram ao Brasil nesta semana”, enfatizou.

O presidente brasileiro também afirmou que enviará mais uma carta a Trump e escreverá “quantos artigos precisar escrever na imprensa americana e mundial” para mostrar que os EUA estão errados. Ao mencionar o possível novo tarifaço de 25% contra o Brasil, Lula foi categórico ao dizer que não vai “ficar chorando” e que o país buscará novos parceiros econômicos e venderá para “quem quiser comprar”.