Lula diz que Trump não deve interferir na eleição brasileira de 2026

Após reunião na Casa Branca, presidente afirma confiar que disputa será decidida “pelo povo brasileiro”

Marina Verenicz

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Coletiva à imprensa
 
Casa Branca, Washington, D.C.
 
Fotos: Ricardo Stuckert / PR
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Coletiva à imprensa Casa Branca, Washington, D.C. Fotos: Ricardo Stuckert / PR

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (7), em Washington, que não acredita em qualquer tentativa de interferência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na eleição brasileira de 2026.

A declaração foi dada após o encontro entre os dois líderes na Casa Branca, marcado por discussões sobre comércio, tarifas e cooperação estratégica.

Durante entrevista coletiva na embaixada brasileira, Lula procurou afastar a hipótese de alinhamento eleitoral internacional ou apoio político externo no pleito presidencial do próximo ano. Segundo o petista, a relação com Trump deve permanecer no campo institucional e diplomático.

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“Não acredito que [Trump] terá influência nas eleições brasileiras, até porque quem vota é o povo brasileiro”, afirmou. “Nossa relação é muito boa. Quem vai decidir a eleição brasileira é o povo brasileiro. Não acredito na interferência de quem quer que seja de fora”, acrescentou.

O presidente brasileiro também disse considerar inadequada a participação de chefes de Estado em disputas eleitorais de outros países. Segundo Lula, preservar a soberania política é um princípio básico das relações internacionais.

“Eu acho que não é uma boa política um presidente de outro país ficar interferindo nas eleições de outros países. É um princípio básico para que a gente não permita a ocupação cultural, política e a soberania de outro país”, declarou.

A fala ocorre em um momento em que aliados do bolsonarismo tentam estreitar laços com setores ligados ao governo republicano nos Estados Unidos. Nos últimos meses, episódios envolvendo o julgamento de Jair Bolsonaro, o caso Alexandre Ramagem e críticas de integrantes da administração Trump ao STF ampliaram o debate sobre o peso da relação entre os dois países no ambiente político brasileiro.

Questionado sobre a possibilidade de buscar apoio político de Trump para a disputa de 2026, Lula rejeitou a hipótese e afirmou que esse tipo de conversa não faz parte de sua atuação diplomática.

“Não há possibilidade de eu discutir esse assunto com qualquer presidente de qualquer lugar do mundo”, disse.

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O encontro entre Lula e Trump durou cerca de três horas e incluiu almoço de trabalho na Casa Branca. A reunião aconteceu após meses de aproximação gradual entre os dois governos, em meio a tensões comerciais, disputas diplomáticas e divergências sobre temas internacionais.