Lula diz que regulação da IA precisa ser dura e feita globalmente

Lula diz que regulação da IA precisa ser dura e feita globalmente

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16 Set (Reuters) – O presidente Luiz Inácio Lula ⁠da Silva disse nesta quarta-feira que a ⁠regulação da inteligência artificial precisa ser feita globalmente e defendeu que ‌ela seja ‘dura’, ao mesmo tempo que afirmou que o Brasil precisa criar a sua IA e não depender de modelos feitos em outros países.

Em ‌entrevista ao podcast Desce a Letra Show, Lula também prometeu investimentos na formação de profissionais voltados à IA para assegurar o desenvolvimento da tecnologia no Brasil.

‘A regulação da inteligência artificial vai ter que ser feita de forma global. Ontem eu vi um artigo da ONU reclamando que é preciso urgentemente ⁠fazer ‌uma regulação universal da questão da inteligência artificial’, disse o presidente, que ⁠é candidato à reeleição em outubro.

‘O Brasil tem que fazer a sua (inteligência artificial)’, defendeu. ‘Precisamos evoluir e formar gente. Vamos investir muito e a regulação precisa ser dura.’

A manifestação de Lula a favor de uma regulação global para a IA vem em meio à defesa por ​parte de grandes executivos de empresas deste setor da desaceleração do desenvolvimento de modelos de inteligência artificial para garantir a discussão dos riscos à ​segurança. Os apelos, no entanto, foram criticados pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e em artigo publicado pelo principal jornal estatal da China.

SUPREMO E ELEIÇÕES

Lula também aproveitou a entrevista para defender uma reforma no Judiciário, em meio à crise no Supremo Tribunal Federal (STF). Na véspera, em mais ‌um capítulo do tumulto no Supremo, houve o ​adiamento do julgamento de uma petição contra o ministro Alexandre de Moraes por suposta troca de mensagens com banqueiro Daniel Vorcaro.

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‘Acho que o que está acontecendo na Suprema Corte não é ⁠uma coisa boa’, disse Lula. ‘A ​Suprema Corte não ​pode ter a sua vida manchada, ela é a instância máxima de poder neste país, quando ⁠ela toma uma decisão, ninguém pode mudar ​a decisão da Suprema Corte’.

‘Vamos fazer uma reforma no Poder Judiciário, não tem como não discutir mais isso. Não é uma coisa feita de forma precipitada, mas ​a gente precisa começar a pensar em fazer uma reforma nas instâncias do Poder Judiciário, porque tem muita queixa e ​a imagem não está ⁠boa. Aquele debate ontem na TV, eu assisti a uma parte dele, não é correto’, disse.

Lula manifestou ⁠ainda preocupação com os impactos da crise no STF sobre o processo eleitoral deste ano, no qual ele buscará a reeleição, e cobrou o presidente do Supremo, Edson Fachin.

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‘Presidente Fachin tem a responsabilidade de não permitir que isso atrapalhe o processo eleitoral’, afirmou.

(Por Eduardo Simões, em São Paulo; edição de Pedro ​Fonseca)