Lula defende comércio em moeda local com Índia

As propostas de que países ​deixem de usar o dólar nas suas transações costumam incomodar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

Reuters

O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, interagem durante a Cúpula de Impacto da IA, em Nova Delhi, Índia, em 19 de fevereiro de 2026. (Foto: Assessoria de Imprensa da Índia/Divulgação via REUTERS)
O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, interagem durante a Cúpula de Impacto da IA, em Nova Delhi, Índia, em 19 de fevereiro de 2026. (Foto: Assessoria de Imprensa da Índia/Divulgação via REUTERS)

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O presidente ⁠Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou ⁠nesta sexta-feira (20) que um acordo comercial entre Índia e Brasil ‌seja feito em moeda local, e não necessariamente em dólar, uma posição que tem defendido também em outras instâncias.

Em entrevista ‌à emissora India Today, em Nova Délhi, Lula afirmou que não é necessário que o comércio entre os dois países seja em dólar, mas que isso não é algo para ser feito imediatamente, mas também não é uma ‘fantasia’.

‘Eu advogo que não é necessário ⁠que ‌um acordo comercial entre Brasil e Índia tenha que ⁠ser feito em dólares’, disse Lula à emissora indiana, segundo uma transcrição em inglês da entrevista.

‘O que eu defendo é que podemos fazer em nossas próprias moedas. É difícil, sim, é difícil, mas podemos tentar.’

As propostas de que países ​deixem de usar o dólar nas suas transações costumam incomodar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que já chegou ​a ameaçar os países do Brics de tarifas de 100% se uma proposta de moeda única do bloco fosse levada adiante.

O presidente brasileiro reforçou que não existe debate dentro do Brics, do qual Índia e Brasil fazem parte, para criar ‌uma moeda única.

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‘Ninguém propôs criar uma moeda ​do Brics. Não é esta a proposta’, disse Lula.

De fato, há conversas sobre facilitação de comércio, como câmaras de compensação de pagamentos e transações em ⁠moedas locais.

O Brasil já ​tem operações em ​moeda local com a China, por exemplo, desde 2023, e trabalha para ampliar movimentos ⁠desse tipo com outros países, ​incluindo a Índia, dentro do Acordo de Comércio Preferencial (ACP) que existe entre Mercosul e Índia – e que o Brasil quer ampliar.

Assinado em 2004, ​o acordo está em vigor desde 2009, mas é considerado limitado. O ACP prevê apenas em torno de ​450 linhas tarifárias ⁠com taxas mais baixas para cada um dos países.

Atualmente, o comércio bilateral entre Brasil ⁠e Índia é de US$15 bilhões, mas o Brasil tem como meta pelo menos dobrar esse valor, segundo Lula.

‘Precisamos chegar a entre US$30 bilhões e US$40 bilhões de comércio por causa do tamanho dos nossos países e das nossas economias’, disse Lula.

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