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Lula chama CPI da Petrobras de absurda e diz que Bolsonaro quer ‘jogar responsabilidade de sua incapacidade sobre os outros’

Ex-presidente lançou hoje em São Paulo as diretrizes finais de seu plano de governo, em evento com Alckmin e representantes de partidos aliados

Por  Anderson Figo -

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disputa o comando do Planalto pelo PT, chamou a criação da CPI da Petrobras de “absurda”. Em evento para lançar diretrizes finais de seu plano de governo, nesta terça-feira (21), em São Paulo, o petista criticou a postura do presidente Jair Bolsonaro (PL).

“É uma coisa absurda. A primeira coisa que ele [o presidente Jair Bolsonaro] tenta fazer é jogar a responsabilidade de sua incapacidade em cima dos outros. Quando Pedro Parente adotou a PPI, o preço de paridade internacional, ele não levou para o Congresso Nacional. Não foi numa conferência da ONU. Não foi no Senado. Foi uma decisão do presidente da Petrobras, certamente ouvindo o Conselho da Petrobras, se é que ouviu. Então, tomou a decisão, a pretexto de que era preciso salvar a Petrobras”, disse.

“Da mesma forma eles tomaram a decisão de privatizar a BR dizendo que era preciso ter mais competitividade. Quanto mais competitividade, mais o preço do combustível iria parar. E o preço do combustíveis na verdade não para é de subir. Significa que algo está muito errado neste país. O Bolsonaro poderia, com uma canetada, como fez Pedro Parente, obrigar o presidente da Petrobras a reduzir o preço. Ele poderia ouvir o Conselho da Petrobras e reduzir o preço. Se ele tivesse qualquer dúvida, ele poderia reunir o Conselho Nacional de Política Energética, o Conselho da Petrobras, o presidente da Petrobras, e ele presidente [da República] poderia tomar a decisão de que é preciso reduzir em benefício da sociedade brasileira”, completou.

O ex-presidente disse ainda que Bolsonaro faz “muita bravata” e que “não quer brigar com os acionistas, que ficam com o lucro que a Petrobras está tendo, que é exorbitante”. “Eles vão tentar criar todas as confusões possíveis para ver se eles conseguem propor a privatização da Petrobras, quem sabe ainda neste ano”, disse Lula.

O presidente Bolsonaro defendeu a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar a conduta do presidente da estatal, José Mauro Coelho, que pediu demissão ontem (20), da diretoria da empresa e de seus conselheiros. A ideia veio logo depois de a Petrobras ter anunciado um novo reajuste nos preços dos combustíveis, na última sexta-feira (17).

O governo mobilizou sua base de aliados para assinarem o documento de criação da CPI, que já conta com nomes como Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, Bia Kicis e Daniel Silveira.

Crescimento econômico

Vice na chapa de Lula, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin também estava no evento, junto com representantes de partidos aliados, como PCdoB, PV, Rede, Psol e Solidariedade. Ele falou sobre a necessidade de retomar o crescimento econômico, sem destruir o meio ambiente.

“É importante ter um crescimento econômico que não é só numérico. Não é só falar sobre o PIB, que cresceu tantos porcento. Não. Tem que ser um crescimento inclusivo. Que você cresça, mas distribua a renda, melhore o salário, incorpore instrumentos tributários que permitam mais justiça social, evitando concentração [de renda]. Um crescimento com estabilidade. O pior de todos os instrumentos é a inflação. A inflação não é socialmente neutra”, disse.

“A inflação atinge mais os mais pobres. Eles não têm como se proteger da alta de preços. A inflação é um dos mais perversos instrumentos de concentração de renda, porque ela tira do pobre para dar para o rico, especialmente através de juros. É preciso um crescimento que não destrua o meio ambiente”, completou.

O ex-governador de SP também criticou Bolsonaro: “não se faz um programa de governo democrático em cima de motociata, em jetski, é ouvindo a população, dialogando”, disse. Alckmin também defendeu a democracia: “nós, as pessoas, passamos. As instituições ficam”.

Diretrizes

As diretrizes do programa de governo de Lula apontam a retomada do emprego e a estabilidade de preços como “tarefas prioritárias” e afirmam que uma eventual gestão petista se opõe “fortemente” à privatização de Petrobras, Pré-Sal Petróleo, Eletrobras e Correios.

As diretrizes também fazem coro com declarações públicas recentes dadas por Lula ao defenderem a revogação do teto de gastos e a construção de “um novo regime fiscal, que disponha de credibilidade, previsibilidade e sustentabilidade”.

O documento também defende uma “transição” da atual política de preços dos combustíveis praticada pela Petrobras em direção a uma “que considere os custos nacionais e que seja adequada à ampliação dos investimentos em refino e distribuição e à redução da carestia”.

“Esse documento não é uma chegada, é um ponto de partida e tem que ser entendido como um ponto de partida”, disse no evento o presidente da Fundação Perseu Abramo, vinculada ao PT, Aloizio Mercadante.

Além da divulgação das diretrizes, foi lançada uma plataforma online onde qualquer pessoa poderá fazer sugestões à versão final do programa de governo de Lula. Segundo Mercadante, será necessário fazer um cadastro para fazer sugestões e a plataforma terá uma moderação, e propostas que não dialogam com as diretrizes não serão aceitas.

As diretrizes do programa de uma eventual gestão petista defendem ainda “uma nova legislação trabalhista de extensa proteção social a todas as formas de ocupação, de emprego e de relação de trabalho” e a revogação do que chama de “marcos regressivos da atual legislação trabalhista, agravados pela última reforma”.

As diretrizes também afirmam que a política cambial deve ser uma ferramenta no combate à alta dos preços.

“Reduzir a volatilidade da moeda brasileira por meio da política cambial também é uma forma de amenizar os impactos inflacionários de mudanças no cenário externo. A orientação passiva para a política cambial dos últimos anos acentuou a volatilidade da moeda brasileira em relação ao dólar com consequências perversas para o índice de preços”, afirma o documento.

(Com Reuters)

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