Lula amplia? Flávio reage? O que observar nas pesquisas desta semana

Cinco levantamentos nacionais atualizam a corrida presidencial na reta final e devem indicar se Lula e Flávio conseguem concentrar votos antes de domingo

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A última rodada de pesquisas antes do primeiro turno terá um componente adicional: medir se os fatos que dominaram a reta final foram capazes de deslocar votos entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

Leia análise: O que o empate esconde, e o que a pesquisa não mede

De um lado, Lula tenta transformar em ganho eleitoral um pacote de medidas de apelo popular anunciado nos últimos dias, com o Desenrola Brasil 3.0, o reajuste do Bolsa Família e a proibição das bets.

De outro, Flávio entrou na última semana obrigado a conter o desgaste provocado por uma notícia falsa que o associou à retirada do título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida.

Quaest, AtlasIntel, Meio/Ideia, Datafolha e Real Time Big Data divulgam levantamentos entre segunda-feira (28) e quinta-feira (1º).

Transformar medidas em votos

A principal aposta do governo na reta final está na economia doméstica. Na sexta-feira (25), Lula lançou o Desenrola 3.0, que permite à União comprar carteiras de dívidas antigas com forte desconto e repassar esse abatimento aos consumidores. O programa pode alcançar até 15 milhões de pessoas, segundo o governo.

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A medida se soma ao reajuste de 15,04% no Bolsa Família, anunciado dias antes, e à decisão de proibir as apostas online por medida provisória. O conjunto foi colocado pela campanha como resposta ao endividamento, à perda de renda e aos efeitos das bets sobre o orçamento familiar.

Apesar de amplamente defendidas pelos eleitores, a efeito nas pesquisas dessas iniciativas ainda precisa ser medido. Levantamentos divulgados nesta semana serão as primeiras capazes de captar com maior nitidez a reação do eleitorado ao pacote anunciado na sexta.

Os recortes por renda serão especialmente relevantes. Lula já concentra desempenho superior entre os eleitores de menor renda, justamente o público mais diretamente relacionado ao Bolsa Família, ao Desenrola e ao discurso contra o endividamento provocado pelas apostas.

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Flávio enfrenta crise religiosa

A campanha de Flávio enfrenta um problema diferente. Desde quinta-feira (24), o senador tenta desmentir uma informação falsa que o associou a uma proposta para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A proposta citada nas redes era de 2007, foi arquivada em 2008 e não tinha relação com Flávio.

Mesmo falsa, a narrativa ganhou grande repercussão. Levantamento do Instituto Democracia em Xeque contabilizou 124 milhões de interações entre os dias 23 e 27 de setembro, colocando Nossa Senhora entre os assuntos políticos de maior repercussão da campanha. A própria equipe de Flávio reconheceu preocupação com o impacto e acionou a Justiça Eleitoral para retirar publicações.

A Palver identificou que parte relevante das mensagens tratava a acusação como verdadeira e registrava indignação de católicos. Isso torna o voto religioso um dos recortes mais importantes das próximas pesquisas.

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Flávio tem forte apoio entre evangélicos. A dúvida agora é se a controvérsia produz algum deslocamento entre católicos, segmento numericamente maior do eleitorado, ou se o episódio fica restrito às redes sociais sem efeito mensurável na intenção de voto.

Quaest e Atlas mostram pouca mudança

A Quaest divulgada na segunda-feira (28) mostrou Lula com 39% e Flávio com 34% no primeiro turno. Na rodada anterior, os índices eram de 37% e 33%, respectivamente. Os indecisos caíram de 10% para 5%.

A AtlasIntel, divulgada na terça-feira (29), registrou Lula com 45,3% e Flávio com 42,2%. Antes, o placar era de 45,8% a 43,4%.

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As duas pesquisas indicam oscilações pequenas, mas ainda não captam integralmente os efeitos dos acontecimentos mais recentes.

Próximas pesquisas

O Meio/Ideia, previsto para quarta-feira (30), poderá mostrar se houve migração de votos de candidatos menores para Lula e Flávio.

O Datafolha, na quinta-feira (1º), deve oferecer um dos retratos mais próximos da votação. Os recortes por renda e religião serão importantes para medir os efeitos do pacote econômico e da crise envolvendo Nossa Senhora.

Também na quinta, a Real Time Big Data fecha a bateria de pesquisas e ajudará a indicar se houve uma tendência consistente ou apenas variações entre institutos.

O que observar

As principais questões são:

Se os números permanecerem estáveis, a conclusão será que as medidas econômicas e a crise religiosa não alteraram significativamente a disputa. Se houver mudança, os recortes por renda e religião devem indicar sua origem.

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Marina Verenicz
Política | Brasil | Mundo