Entrevista ao Estadão

Luis Stuhlberger: mercado rebaixou Brasil, mas ainda é cedo para montar o “Big Short”

Gestor do Fundo Verde - um dos mais vitoriosos da indústria brasileira - alerta para perda de governabilidade do governo Temer e aos questionamentos que o até então intocável Henrique Meirelles começa a receber

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SÃO PAULO – A semana recheada de eventos turbulentos na política pode ter trazido uma mudança permanente na forma como o mercado enxerga potencial do governo Temer em propor as reformas necessárias. “Houve um razoável ‘downgrade’ (rebaixamento) de Brasil com o risco de não conseguir aprovar a reforma da Previdência. Se ele, de fato, não conseguir aprovar essa reforma, vai ser muito pior do que vimos nesses dias”, disse Luis Stuhlberger, sócio fundador da Verde Asset – que possui R$ 30 bilhões em ativos sob gestão – ao Estadão em entrevista publicada neste domingo (4).

O gestor do lendário Fundo Verde, que desde sua criação em 1997 teve mais de 13.300% de rentabilidade, explicou que os dois grandes eventos políticos desta semana – as mudanças promovidas nas 10 medidas anticorrupção durante a madrugada de terça para quarta-feira e o acordo de leniência da Odebrecht – colocaram o governo Temer em uma sinuca de bico e fez o mercado “jogar mais risco” em Bolsa, dólar, pré-fixado e no Risco Brasil. Stuhlberger ressalta ainda o risco da “Delação do Fim do Mundo” da Odebrecht pegar os ministros de Temer, pois isso fará o PSDB entrar de vez no governo, já que os principais nomes de confiança do presidente já terão ido embora – citando Jucá, Geddel e Eduardo Alves.

O gestor ainda comentou sobre a perda de credibilidade do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, já que a previsão de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) para o ano que vem está bem próximo de 0%, o que deve gerar um certo “desespero” do governo em busca de popularidade: “acabou o período em que se falava ‘Ok, Meirelles está lá, ele manda em tudo'”, disse Stuhlberger. Em linha com isso, saiu na última semana a notícia de que o governo ensaia uma aproximação com Armínio Fraga (ex-presidente do BC).

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Apesar disso tudo, o gestor da Verde Asset preferiu não cravar que chegou a hora de montar o “Big Short”, que seria uma grande posição que lucraria com o aprofundamento da crise brasileira e algo que ele vem sondando ao longo de 2016 em suas cartas mensais. “Não ter prosperidade não significa que medidas pró-prosperidade não serão feitas, por isso, embora meu coração balance para fazer um ‘big short’, eu ainda não fiz. Entra dia e sai dia, eu penso nisso, mas ainda estou esperando para ver”, finaliza Stuhlberger.

Link da entrevista completa no Estadão.