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O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva liderarão reuniões da esquerda global em Barcelona nesta sexta-feira e no sábado, em uma tentativa de defender o multilateralismo e mobilizar movimentos de esquerda contra a extrema-direita.
As reuniões, organizadas pela Espanha e por redes políticas de esquerda, ocorrem no momento em que os cortes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na ajuda humanitária, as intervenções militares e as ameaças de abandonar a aliança militar ocidental Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) abalaram o status quo das relações internacionais e provocaram um repensar das lealdades globais.
Nascido de um alerta para os socialistas europeus após o aumento da extrema-direita nas eleições da UE em 2024, o objetivo da chamada ‘Mobilização Progressista Global’, que começa na sexta-feira, é mobilizar os defensores das ideias de esquerda, culminando em uma declaração de ações comuns sobre metas que vão desde a defesa da democracia até a transição verde, disseram os organizadores.
Um segundo encontro no sábado – intitulado ‘Em defesa da democracia’ – é organizado pelo governo espanhol e é a quarta parte de uma cúpula lançada por Lula e Sánchez em 2024.
‘Mostrar que existe uma alternativa’
Ambos os líderes são críticos veementes do governo Trump – com Sánchez tendo sido particularmente franco sobre a guerra do Irã – e ambos enfrentam desafios crescentes da extrema-direita nas próximas eleições.
O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, que também entrou em conflito com Trump, estará presente, assim como a presidente do México, Claudia Sheinbaum, marcando a primeira visita de um presidente mexicano à Espanha desde 2018, após anos de tensão sobre o legado do domínio colonial espanhol.
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‘Acho importante que os partidos e governos progressistas se unam para transmitir ao público, especialmente na Espanha, que pertencemos a algo que vai além da política interna’, disse Sánchez sobre as reuniões, falando em Pequim durante uma visita à China, onde ele e o presidente chinês, Xi Jinping, prometeram laços mais estreitos.
A extrema-direita da Europa perdeu um de seus maiores pilares com a derrota do líder nacionalista húngaro Viktor Orbán nas eleições de domingo. Sánchez elogiou o fato, dizendo que ‘a onda pode ser detida, e a Hungria prova isso’.
No outro evento, 3.000 pessoas, incluindo atuais e ex-chefes de Estado, cerca de 400 prefeitos, ativistas e representantes de sindicatos e de partidos políticos, se reunirão durante dois dias, tendo como anfitrião o Partido Socialista da Espanha. Sánchez e Lula encerrarão o evento.
‘Forças radicais estão em ação em nossos países para patrocinar movimentos de extrema-direita… temos que mostrar que há uma alternativa’, disse Giacomo Filibeck, secretário-geral do Partido dos Socialistas Europeus, cujos membros abrangem 33 partidos em toda a Europa.
