Ao Estadão

Líder do PMDB vê “extrema ruptura” na bancada e manifestações decisivas para impeachment

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Leonardo Quintão evitou dar posição favorável ou contrária ao impeachment, reclamou de interferências do Planalto nos movimentos internos do PMDB e reforçou o discurso da unidade do partido

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SÃO PAULO – Substituto do governista Leonardo Picciani (PMDB-RJ) na liderança do principal partido da teórica base aliada do governo na Câmara, o deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG) já começa a tentar unificação dentro do partido e adota posições mais agradáveis à ala opositora, decisiva para sua ascensão definida na última quarta-feira, embora não manifeste publicamente posição favorável ou contrária ao impeachment da presidente Dilma Rousseff. O parlamentar concedeu entrevista publicada na edição desta sexta-feira (11) do jornal O Estado de S. Paulo.

“O sentimento da bancada [do PMDB] é de extrema ruptura hoje devido a esse processo que está acontecendo na Câmara. Quanto mais o governo interfere na bancada, mais a bancada dispersa. Meu papel agora é unificar a bancada”, disse Quintão. Ele diz não ter e não poder ter posição definida sobre o impeachment de Dilma, e vê papel decisivo das manifestações populares sobre o comportamento dos parlamentares peemedebistas no processo. “A pressão popular vai definir qualquer votação no plenário da Câmara dos Deputados”.

O deputado mineiro disse ainda que a composição dos indicados do partido para a comissão especial que analisará o processo na casa serão proporcionais aos tamanhos da ala – decisão que vai de encontro à iniciativa de seu antecessor, Picciani, que só havia apresentado nomes contrários ao processo. “Vamos colocar em votação. Se tiver meio a meio, vai ser meio a meio. Se tiver três e cinco, vai ser três e cinco. Pode ser semana que vem, mas vou discutir”, afirmou.

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Durante a entrevista, Quintão deixou clara a alta temperatura das disputas internas do partido, com o deputado Leonardo Picciani ainda tentando voltar ao comando da bancada. “Estamos num momento de extrema tensão dentro do PMDB porque o governo anteontem, antes da conversa do vice-presidente Michel Temer com a presidente Dilma, tinha acionado os ministros do PMDB”, afirmou. O novo líder se disse chateado com a atitude do ministro da Saúde, Marcelo Castro, que só “queria saber se era a favor ou contra o impeachment”.

Segundo o deputado mineiro, operadores do governo também tentaram usar o nome do governador de Minas (Fernando Pimentel, do PT) para pressionar o deputado Silas Brasileiro a tirar a assinatura da lista (que derrubou Picciani). “Ameaçaram-no dizendo que o governador iria mandar de volta secretários e ele viraria suplente novamente. O governador, quando soube disso, me ligou e já foi revertida essa situação” alegou. A entrevista foi concedida ao jornal O Estado de S. Paulo.