Líder do governo vê PEC da Segurança fora do radar antes das eleições

Líder do governo admite que proposta “subiu no telhado” em ano eleitoral

Marina Verenicz

O líder do Governo na Câmara, Deputado José Guimarães Brasília (DF)  -10/04/2023
O líder do Governo na Câmara, Deputado José Guimarães Brasília (DF) -10/04/2023

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A saída iminente de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça abriu duas frentes simultâneas no governo: a disputa por um sucessor capaz de dialogar com o Congresso em ano eleitoral e o esvaziamento de uma das principais apostas da pasta, a PEC da Segurança Pública.

No Planalto, a leitura já é a de que o tema dificilmente avançará antes das eleições. A avaliação foi explicitada pelo líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), em entrevista ao Valor Econômico divulgada nesta segunda-feira (12).

Segundo ele, a proposta perdeu viabilidade política no atual contexto. “Subiu no telhado”, afirmou, ao reconhecer que não há ambiente para levar a PEC ao plenário sem risco elevado de derrota.

Guimarães também afastou a possibilidade de criação de um Ministério da Segurança Pública ainda neste ano, ideia que chegou a circular como alternativa à reorganização da pasta após a saída de Lewandowski.

O diagnóstico do líder governista parte do calendário eleitoral e da sensibilidade do tema. Para Guimarães, segurança pública é um campo em que a oposição costuma mobilizar narrativas de confronto ideológico, dificultando a construção de maioria.

Ele condicionou qualquer avanço a mudanças no relatório apresentado pelo deputado Mendonça Filho (União-PE). Sem ajustes, disse, não haveria racionalidade política em submeter a proposta a votação.

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O impasse ocorre justamente no momento em que o governo precisa redefinir o comando do Ministério da Justiça. A sucessão de Lewandowski passou a ser discutida nos bastidores do Palácio do Planalto, com preocupação sobre o perfil do próximo ministro. Além de capacidade técnica, será decisiva a habilidade de administrar uma pauta sensível no Congresso e evitar novas frentes de desgaste com a oposição.

Na entrevista, Guimarães também buscou reduzir a temperatura do conflito entre o PT e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), após os atritos do fim do ano passado. Segundo ele, as “feridas estão cicatrizando”, mas o governo já trabalha com uma estratégia mais seletiva para o primeiro semestre legislativo, priorizando temas com maior chance de aprovação.

Entre essas pautas, o líder citou a redução da escala de trabalho 6×1 como prioridade do Executivo. Na avaliação dele, trata-se de um debate conectado a transformações recentes no mercado de trabalho e com maior potencial de adesão no Congresso, ao contrário da agenda de segurança pública.

Guimarães também situou o impasse da PEC dentro de um quadro mais amplo de dificuldades do governo no Legislativo. Como vice-presidente do PT e coordenador do grupo de trabalho eleitoral da sigla, ele afirmou que a eleição deste ano será decisiva para tentar alterar a correlação de forças na Câmara e no Senado.

A meta, segundo ele, é ampliar a bancada petista e impedir que a oposição consolide maioria no Senado.

Em tom de frustração, o deputado descreveu a relação do governo com o Congresso como dura e desgastante, refletindo um cenário em que o Executivo precisa calibrar cada movimento.

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Nesse contexto, a saída de Lewandowski não apenas reabre a disputa por um cargo-chave, mas também simboliza o recuo tático do Planalto em uma agenda que, ao menos por ora, ficou fora das prioridades legislativas.