De olho nas eleições

Líder de nova ‘superbancada’ da Câmara, PSDB começa a sair do isolamento político

Nas sombras, ao seu estilo silencioso, Alckmin opera para se consolidar como único candidato da centro-direita reformista nas eleições

Aprenda a investir na bolsa

SÃO PAULO – A conformação da maior frente parlamentar da Câmara dos Deputados, com 11 partidos e controle de 39% dos assentos da casa, evidencia o início de uma volta por cima do PSDB, ausente de posições de destaque na política nacional desde a conclusão do processo de impeachment de Dilma Rousseff, o crescimento dos atritos internos e os efeitos das delações de executivos do grupo J&F.

Desde a última quarta-feira, o partido passou a liderar um bloco composto por siglas importantes do chamado “centrão”, como PSD, PR, PRB, PTB e Solidariedade. Também fazem parte do grupo PPS, PV, PROS, PSL e PRP. Boa parte do movimento exige créditos ao atual líder da bancada tucana na casa, deputado Nilson Leitão (MT), e do presidente do partido, o governador Geraldo Alckmin, presidenciável pela sigla.

Apesar de o novo bloco não representar a formalização de uma coalizão para as eleições presidenciais que se aproximam, o episódio pode servir como uma demonstração da força política tucana e o início de uma de suas mais severas crises, cujo ápice ocorreu com a derrocada do senador Aécio Neves (MG), nome que seria o natural candidato tucano ao Palácio do Planalto em outubro.

Aprenda a investir na bolsa

Quer investir em ações pagando só R$ 0,80 de corretagem? Clique aqui e abra sua conta na Clear

Na prática, o campo de atuação do bloco pode ser limitado em termos de influência sobre a agenda legislativa, a menos que haja uma significativa construção de unidade. Para os tucanos, contudo, o movimento coloca os parlamentares da legenda em posição favorável à conquista de relatorias setoriais importantes na Comissão Mista de Orçamento, que determinará a alocação de recursos do primeiro ano do próximo governo. Se tal perspectiva se confirmar, o PSDB terá desbancado em parte siglas como MDB e PP, que normalmente controlam este tipo de agenda.

Embora não empolgue nas pesquisas de intenção de voto, Geraldo Alckmin tem feito movimentos importantes nos bastidores da política. O governador paulista está cada vez mais confiante de que PPS e PTB deverão estar com ele na corrida presidencial. Além disso, o PSD, de Gilberto Kassab, também caminha para um acerto, o que também pode vir a ocorrer com o DEM futuramente. O PV é outro de tende a consolidar aliança com o tucano. A consolidação de alianças é condição vital para a viabilização de candidaturas à eleições majoritárias, sobretudo em uma disputa com menos recursos para campanha devido ao impedimento do financiamento empresarial.

Muita água ainda precisa passar debaixo da ponte, mas, nas sombras, ao seu estilo silencioso, o governador tucano vem operando para se consolidar como único candidato da centro-direita reformista nas eleições presidenciais, a contragosto do presidente Michel Temer, que intensificou ações com vistas à disputa por sua sucessão. Ainda há muitos erros para o PSDB reparar antes de confirmar um candidato competitivo para a corrida de outubro, mas importantes nós já foram desatados e o partido já começou a sair do isolamento político em que se meteu. Basta lembrar a briga de poucos meses atrás entre Tasso Jereissati (CE) e Marconi Perillo (GO) durante a derrocada de Aécio Neves.