Reação

Lava Jato ameaça abandonar trabalhos após Câmara aprovar desfigurar medidas anti-corrupção

O coordenador da força-tarefa, Deltan Dallagnol, disse que este foi o "golpe mais forte efetuado contra a Lava Jato" e que o objetivo da Câmara é "estancar a sangria"

SÃO PAULO – Os procuradores da Operação Lava Jato criticaram fortemente a votação na Câmara dos Deputados que alterou as medidas de combate à corrupção e aprovou o crime de abuso de autoridade contra juízes e integrantes do Ministério Público. O procurador Carlos dos Santos Lima chegou a afirmar que a força-tarefa ameaça abandonar os trabalhos se a “proposta de intimidação” for aprovada.

O coordenador da força-tarefa, Deltan Dallagnol, disse que este foi o “golpe mais forte efetuado contra a Lava Jato”. Segundo ele, se a proposta for aprovada será o começo do fim da operação. “Não será possível continuar trabalhando na Lava Jato se a lei da intimidação for aprovada”, disse.

O procurador disse ainda que o objetivo da Câmara é “estancar a sangria” e enfraquecer o combate à corrupção. “Há evidente conflito de interesses entre o que a sociedade quer e o que o parlamento quer. Se instala a ditadura da corrupção”, afirmou.

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Abuso de autoridade
Na sessão desta terça-feira (30), os deputados aprovaram por 450 votos a 1 o texto-base das medidas anti-corrupção e passaram a madrugada votando emendas ao pacote. Uma dessas modificações prevê a punição de juízes, procuradores e promotores por crime de responsabilidade. O texto agora segue para ser apreciado pelo Senado.

Para ver como cada deputado votou em relação à emenda do abuso de autoridade, vista como uma vingança da classe política contra a força-tarefa da Lava Jato, clique aqui.