“Latino-americano frustrado”: Lula diz que Marco Rubio “não gosta da América Latina”

Presidente brasileiro rebateu declarações do secretário norte-americano feitas na terça-feira (2)

Caio César

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, concede entrevista à Reuters no Palácio da Alvorada, em Brasília, em 6 de agosto de 2025. REUTERS/Adriano Machado
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, concede entrevista à Reuters no Palácio da Alvorada, em Brasília, em 6 de agosto de 2025. REUTERS/Adriano Machado

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, nesta quarta-feira (3), a atuação do secretário de Estado dos EUA Marco Rubio em relação a países da América Latina e voltou a afirmar que não aceitará que o país norte-americano mantenha uma postura agressiva contra o Brasil.

“Confesso a vocês que fui pego de surpresa com a decisão deles [dos EUA]. E o triste é que tem brasileiros — que não vou citar aqui — fomentando essa briga na perspectiva de tentar prejudicar uma candidatura, mas um imbecil desse não percebe que quem é prejudicado é o povo”, afirmou.

“A nossa luta é para que este país não seja tratado como uma republiqueta insignificante. Nós somos grandes, temos história e não aceitaremos o tratamento que os EUA deram ao Brasil nesta semana”, declarou Lula durante reunião ministerial.

Na sequência, Lula voltou o discurso contra Marco Rubio, que, na terça-feira (2), declarou que o Brasil é uma exceção em uma “região repleta de aliados dos Estados Unidos”.

O presidente classificou o senador como um “latino-americano frustrado”, ao relembrar que o Brasil já foi vítima do golpe de 1964, “articulado por embaixadores americanos”, e que “já sabemos da jogada deles”.

“Esse Marco Rubio, ele não gosta da América Latina e muito menos do Brasil. É um latino-americano frustrado, filho de pessoas que nasceram em Cuba”, declarou. “Inclusive, eu espero que o nosso senador Jaques Wagner (PT-BA) responda a ele sobre a declaração de que eles estão conseguindo tornar a América Latina, com exceção do Brasil, Nicarágua, Cuba e Colômbia, ‘mais próxima dos EUA’”, destacou.

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Lula também reforçou que é importante que os representantes dos EUA entendam que o Brasil não deseja guerra, mas sim “construir uma narrativa verdadeira e fortalecer relações institucionais com os EUA”.

O bastidor da troca de farpas

Tanto a declaração de Lula quanto a de Rubio ocorrem após os Estados Unidos divulgarem um documento concluindo que as práticas econômicas do Brasil são desleais, de acordo com a Seção 301 da legislação comercial norte-americana, que abrange áreas como serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, proteção à propriedade intelectual e acesso ao mercado de etanol.

A divulgação do documento também provocou questionamentos dentro do governo brasileiro sobre o momento escolhido pelos Estados Unidos para tornar públicas suas conclusões.

O relatório foi divulgado uma semana após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participar de uma reunião com Donald Trump nos EUA. Durante a visita, o parlamentar voltou a criticar decisões do Judiciário brasileiro e reforçou pedidos para que facções criminosas brasileiras fossem enquadradas como organizações terroristas pelo governo norte-americano.

Na ocasião, o pré-candidato criticou a situação da liberdade de expressão no Brasil e reiterou o pedido para que facções brasileiras fossem incluídas na lista de grupos terroristas investigados pelos EUA — demanda atendida em anúncio do governo Trump dois dias depois.

O primeiro tarifaço imposto ao Brasil também ocorreu após uma visita do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) ao então presidente norte-americano, que, por sua vez, tentou interferir no Judiciário brasileiro e amenizar ou livrar da pena o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de reclusão pela trama golpista.

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