Jornais estrangeiros destacam sucesso do Pix e refutam alegações do governo Trump

Mídia internacional destacou fragilidade dos argumentos apresentados por Trump para impor novas tarifas ao Brasil

Caio César

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, faz um pronunciamento à nação no Salão Leste da Casa Branca, em 16 de julho de 2026, em Washington, D.C. Trump deve discursar sobre segurança eleitoral. (Foto: Saul Loeb/Pool – Getty Images) Via Bloomberg
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, faz um pronunciamento à nação no Salão Leste da Casa Branca, em 16 de julho de 2026, em Washington, D.C. Trump deve discursar sobre segurança eleitoral. (Foto: Saul Loeb/Pool – Getty Images) Via Bloomberg

Publicidade

O Pix voltou ao centro do debate econômico com publicações na revista britânica The Economist e no jornal norte-americano The Wall Street destacando o sucesso do sistema brasileiro de pagamentos instantâneos e refutando as críticas feitas ao sistema pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Para o The Economist, as acusações feitas pelo governo norte-americano contra o sistema de pagamentos do Banco Central não se sustentam e se baseiam em premissas frágeis de que o Pix teria sido projetado para prejudicar empresas de pagamento dos EUA.

O jornal destaca que, a despeito do exporto pela gestão Trump, o fato de que o sistema ser controlado pelo Banco Central não cria discriminação ou um mercado desleal para empresas estrangeiras. O texto destaca que qualquer instituição financeira licenciada que opere no Brasil pode se conectar à rede de pagamentos instantâneos livremente.

A revista britânica sustenta que a Seção 301 da lei comercial norte-americana, utilizada como argumento para impor novas tarifas de 25% ao Brasil, nunca antes tinha sido utilizada para alvejar sistemas de pagamentos domésticos de outros países.

Em outra publicação feita em 12 de julho, a The Economist também pontuou que a ofensiva americana contra o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos evidencia um movimento mais amplo de fragmentação da infraestrutura financeira internacional, “tradicionalmente dominada por empresas americanas como como Visa e Mastercard”.

Para a Economist, a imposição de novas tarifas simboliza uma nova fase da geopolítica financeira mundial. À medida que os EUA utilizam de forma mais explícita seu peso econômico e financeiro como instrumento diplomático, países de diferentes espectros políticos buscam reduzir sua dependência das plataformas controladas por Washington.

A partir da quarta-feira (22) tarifa extra de 25% sobre produtos brasileiros passa a valer nas operações de exportação aos EUA. A nova sobretaxa é o resultado de investigações sobre práticas comerciais desleais com base na Lei de Comércio, conduzidas pelo escritório do USTR.

Apesar da nova tarifa, a sobretaxa terá uma lista extensa de exceções, de mais de 2.100 produtos, incluindo itens importantes para a exportação do Brasil, como carne e suco de laranja.