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O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), reagiu à declaração do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, candidato à Presidência da República pelo PSD, sobre “alforriar” a população do baiana caso seja eleito. No estado, o goiano é apoiado pelo principal adversário do petista na disputa pelo governo, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União). Conforme pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira, ambos estão tecnicamente empatados na corrida eleitoral.
A afirmação de Caiado ocorreu no domingo, durante agenda em São Paulo. Ao ser questionado por um jornalista baiano sobre a composição no estado, segundo informações do portal Metrópoles, o goiano utilizou o termo que remete à Carta de Alforria — documento para conceder liberdade a uma pessoa escravizada.
— Com Caiado e ACM eleitos, o povo baiano vai se sentir alforriado — declarou Caiado.
Em vídeo divulgado na tarde desta terça-feira, Jerônimo afirmou ter recebido o posicionamento “com indignação”. Segundo o governador, a declaração “é uma das mais ofensivas e infelizes já dirigidas ao povo baiano”.

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— Eu não vou responder apenas como governador, mas como baiano, descendente de negros e indígenas, de pessoas que foram verdadeiramente escravizadas, exploradas, espoliadas dos seus direitos e de sua liberdade. Essa é uma das declarações mais ofensivas e infelizes já dirigidas ao povo baiano. Mas não me surpreende, saindo de onde saiu — disse Jerônimo.
Ainda de acordo com o petista, Caiado olha para a Bahia “e vê escravizados a serem alforriados”, além de afirmar que, caso o goiano queira governar o país, deve respeitar o estado e o povo baiano. Em tom eleitoral, Jerônimo também aproveitou para mencionar a ligação de Caiado e ACM com o bolsonarismo.
— Na Bahia não há escravos, Caiado. Há um povo livre, que nunca aceitou viver de joelhos, que enfrentou a escravidão histórica, o autoritarismo e disse não ao bolsonarismo que você e ACM Neto apoiaram e agora fingem criticar. Mas a Bahia sabe que, no final, vocês acabam sempre juntos — completou.
‘Lacração eleitoreira’, diz Caiado
Caiado rebateu, ainda ontem, o posicionamento de Jerônimo. Ele afirmou que se referiu à liberdade “de quem não consegue mais ir e vir por causa da violência”, sem se ater à etimologia, e ironizou que Jerônimo tenta “dar uma aula de dicionário”. Apesar disso, o presidenciável alegou que a atual situação configura “uma escravidão moderna”.
“Enquanto o governador da Bahia tenta me dar aula de dicionário e fazer lacração eleitoreira, o povo segue refém do crime organizado. Segundo um estudo da Universidade de Cambridge, mais de 60 milhões de brasileiros vivem sob a influência do narcotráfico. O problema não é etimologia. É a liberdade de quem não consegue mais ir e vir por causa da violência. Contra essa escravidão moderna não tem discurso: tem lei, autoridade e mão firme. O povo quer segurança de verdade”, escreveu Caiado, nas redes sociais.
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Por fim, o ex-governador disse que sua esposa, Gracinha Caiado (União), é “a baiana mais arretada do mundo”. Ela é pré-candidata ao Senado por Goiás e, até o momento, lidera as pesquisas de intenção de voto no estado.
Termo recorrente
No início deste mês, durante agenda no Rio de Janeiro, Caiado já havia usado o mesmo termo para abordar o domínio territorial do tráfico em favelas. A declaração ocorreu ao ser questionado sobre possíveis ações de combate ao crime organizado no campo da segurança pública.
— Essas comunidades vão ser libertadas. Eu vou alforriá-las, pode ter certeza. Eu vou colocar na grade esses bandidos e vou libertar todas essas comunidades que, hoje, estão sequestradas pelo narcotráfico. Isso eu fiz, tenho experiência, e vou fazer — disse, em entrevista à Globo News.
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