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Jamais aceitarei papel de conspirador pelo impeachment de Dilma, diz Cunha

"Tenho afirmado reiteradamente que impeachment não é recurso eleitoral de quem perde as eleições, mas um grave instrumento jurídico a ser utilizado em situações muito específicas", escreveu o presidente da Câmara

SÃO PAULO – Em resposta a editorial feito na véspera pela Folha de S. Paulo, o presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) enviou um artigo ao jornal se defendendo de ilações sobre suposta influência sua sobre a decisão de se votar com celeridade, na última quarta-feira (5), a PEC 443.

Considerada uma das “pautas-bomba” para o ajuste fiscal do governo, a proposta prevê vinculação dos salários da Advocacia Geral da União, delegados das polícias Civil e Federal e procuradores municipais a 90,25% do subsídio do Supremo Tribunal Federal. As estimativas são que a mudança, se sancionada, geraria perdas anuais de cerca de R$ 10 bilhões à União.

“Dizer que o presidente da Câmara possui tal poder de intervenção a ponto de fazer as bancadas não seguirem seus líderes é dizer, também, que 445 dos 513 deputados me seguem, incluindo os do PT. A argumentação beira o ridículo de tão impossível. Não existe ‘Câmara de Cunha’. O que existe é uma Câmara independente, na qual a maioria exerce a vontade de seus representados por meio do voto”, escreveu o parlamentar.

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No artigo, Cunha foi além e disse que não compactua com “irresponsabilidades no exercício da independência dos Poderes” nem sua submissão ao lobby de empresas. Segundo na linha sucessória presidencial no caso de impeachment de Dilma Rousseff, o presidente da Câmara negou qualquer articulação para derrubar o atual governo ou presidente. “Jamais aceitarei a insistente tentativa de me imputar o papel de conspirador pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff”, disse.

“Tenho afirmado reiteradamente que impeachment não é recurso eleitoral de quem perde as eleições, mas um grave instrumento jurídico a ser utilizado em situações muito específicas, sob o risco de abalar alicerces democráticos que demoramos muito a construir”, concluiu Eduardo Cunha.