Itamaraty fala em risco de “uso da força militar” dos EUA após sanção a PCC e CV

Ministério afirma que enquadramento foi unilateral e não teve comunicação formal

Caio César

Presidente dos EUA, Donald Trump, na cúpula do G7 em Evian-les-Bains, na França 17 de junho de 2026 REUTERS/Evelyn Hockstein
Presidente dos EUA, Donald Trump, na cúpula do G7 em Evian-les-Bains, na França 17 de junho de 2026 REUTERS/Evelyn Hockstein

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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que não foi notificado oficialmente pelos Estados Unidos sobre a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas.

A declaração foi feita pelo Itamaraty em resposta a um requerimento de informações apresentado pelo deputado federal Evair Vieira de Melo (Republicanos-ES).

No documento, o Itamaraty afirma que “não houve comunicação formal dos Estados Unidos ao Brasil sobre a intenção de designar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas estrangeiras”.

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O ministério destaca também que a decisão foi um ato unilateral e não exige manifestação formal do governo brasileiro. Ainda assim, houve posicionamento contrário à medida.

O governo também aponta que a designação das organizações criminosas como terroristas não traria “benefícios concretos” para a cooperação internacional entre os países. Além disso, o Itamaraty demonstrou preocupação com os possíveis riscos jurídicos e financeiros caso a medida seja usada como justificativa para alguma ação militar norte-americana no Brasil.

“Tal aplicação pode ocorrer com amplo grau de discricionariedade, dada a amplitude dos termos adotados na legislação de contraterrorismo daquela país, com sérias possibilidades de implicações para cidadãos brasileiros nos planos financeiros, migratórios e penal. Finalmente, há a possibilidade do uso da força militar dos Estados Unidos em território brasileiro”, diz um trecho da nota, publicado pelo g1.

Relembre a decisão

Em 5 de junho, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) passaram oficialmente a integrar a lista de organizações terroristas estrangeiras dos Estados Unidos.

A medida foi anunciada pelo presidente norte-americano Donald Trump dias após a visita do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro à Casa Branca.

A decisão anunciada pelo Departamento de Estado dos EUA pode representar uma mudança relevante na forma como Washington atua contra as duas facções.

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Na prática, a principal mudança ocorre nas ferramentas financeiras, judiciais e diplomáticas que podem ser usadas pelos EUA, como a possibilidade de bloquear ativos, congelar contas e restringir transações financeiras ligadas às facções ou a pessoas e empresas consideradas colaboradoras dos grupos.

O enquadramento também permite a abertura de investigações com mecanismos jurídicos mais agressivos, tradicionalmente empregados em casos de terrorismo e crime organizado transnacional.

Primeiros alvos da sanção

O Departamento do Tesouro dos EUA anunciou, na quarta-feira (1º), sanções contra dois brasileiros, três empresas sediadas no Brasil e uma companhia em Portugal por supostos vínculos com o PCC.

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Entre os sancionados está Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontado pelos EUA como líder do núcleo paulista da rede e elo entre operadores da facção na Flórida e traficantes.

Com a decisão, todos os bens dos alvos sob jurisdição dos Estados Unidos ficam bloqueados, e cidadãos e empresas americanas passam a estar proibidos de realizar transações com eles.