Invasão na Venezuela deve ter efeito limitado na eleição no Brasil, diz consultoria

Para consultoria 4intelligence, tema tende a reforçar polarização ideológica, mas não deve se tornar fator decisivo no voto

Marina Verenicz

Uma imagem estática de um vídeo postado pela conta Rapid Response 47 da Casa Branca no X.com, originado da conta @PaulDMauro, mostra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, sendo conduzido sob custódia por um corredor nos escritórios da Administração de Repressão às Drogas dos Estados Unidos (DEA) em Nova York, EUA, em 3 de janeiro de 2026 (Reuters)
Uma imagem estática de um vídeo postado pela conta Rapid Response 47 da Casa Branca no X.com, originado da conta @PaulDMauro, mostra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, sendo conduzido sob custódia por um corredor nos escritórios da Administração de Repressão às Drogas dos Estados Unidos (DEA) em Nova York, EUA, em 3 de janeiro de 2026 (Reuters)

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A operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na prisão do presidente Nicolás Maduro, dificilmente terá impacto relevante sobre a disputa presidencial brasileira de 2026. A avaliação é da consultoria 4intelligence, que analisou os desdobramentos políticos da ofensiva liderada pelo governo de Donald Trump e seus possíveis reflexos no cenário doméstico.

Segundo a consultoria, embora a ação represente um marco geopolítico na América Latina, seus efeitos eleitorais no Brasil tendem a ser pontuais e concentrados no campo discursivo. O episódio deve acentuar a polarização entre direita e esquerda, mas não reunir força suficiente para se tornar um tema central na definição do voto.

No plano internacional, a análise aponta que a incursão americana reforça a lógica histórica da Doutrina Monroe e evidencia a perda de protagonismo do Brasil como ator regional. Ao longo das últimas décadas, diferentes governos brasileiros — de Fernando Henrique Cardoso a Luiz Inácio Lula da Silva, passando por Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro — tentaram exercer algum grau de influência sobre o regime chavista, sem sucesso. A ação dos EUA, na leitura da consultoria, apenas cristaliza essa irrelevância diplomática.

A 4intelligence avalia ainda que a relação entre Lula e Trump tende a se deteriorar. A condenação pública do governo brasileiro à intervenção americana pode recolocar na agenda bilateral um ambiente de atrito, com risco de tensões comerciais, sanções ou novos episódios de confronto retórico. Para a consultoria, esse movimento não representa uma ruptura inédita, mas sim um retorno a uma relação marcada por desconfiança e divergências.

No cenário interno, o episódio alimenta narrativas opostas. Setores da direita, incluindo grupos bolsonaristas, enxergam a operação como uma ação libertadora e chegaram a especular, de forma retórica, sobre intervenções semelhantes em outros países.

Já a esquerda reagiu com forte crítica, classificando a ofensiva como ilegal, uma violação da soberania regional e um movimento motivado por interesses econômicos, especialmente ligados ao petróleo venezuelano.

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Apesar desse embate simbólico, a consultoria considera improvável que o tema tenha peso decisivo na eleição. A avaliação é que a narrativa crítica à intervenção externa tende a encontrar maior ressonância junto à opinião pública, especialmente diante de experiências recentes de rejeição a sanções e tarifas impostas pelos Estados Unidos. Por outro lado, discursos que sugerem presença militar americana em solo brasileiro devem enfrentar resistência ampla do eleitorado.

Para a 4intelligence, os efeitos políticos da invasão da Venezuela sobre o Brasil devem se diluir ao longo do tempo, ficando restritos ao debate ideológico e à retórica eleitoral. A confirmação ou não desse diagnóstico, ressalta a consultoria, dependerá da evolução do cenário internacional e das próximas rodadas de pesquisas de opinião.