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A operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na prisão do presidente Nicolás Maduro, dificilmente terá impacto relevante sobre a disputa presidencial brasileira de 2026. A avaliação é da consultoria 4intelligence, que analisou os desdobramentos políticos da ofensiva liderada pelo governo de Donald Trump e seus possíveis reflexos no cenário doméstico.
Segundo a consultoria, embora a ação represente um marco geopolítico na América Latina, seus efeitos eleitorais no Brasil tendem a ser pontuais e concentrados no campo discursivo. O episódio deve acentuar a polarização entre direita e esquerda, mas não reunir força suficiente para se tornar um tema central na definição do voto.

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No plano internacional, a análise aponta que a incursão americana reforça a lógica histórica da Doutrina Monroe e evidencia a perda de protagonismo do Brasil como ator regional. Ao longo das últimas décadas, diferentes governos brasileiros — de Fernando Henrique Cardoso a Luiz Inácio Lula da Silva, passando por Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro — tentaram exercer algum grau de influência sobre o regime chavista, sem sucesso. A ação dos EUA, na leitura da consultoria, apenas cristaliza essa irrelevância diplomática.
A 4intelligence avalia ainda que a relação entre Lula e Trump tende a se deteriorar. A condenação pública do governo brasileiro à intervenção americana pode recolocar na agenda bilateral um ambiente de atrito, com risco de tensões comerciais, sanções ou novos episódios de confronto retórico. Para a consultoria, esse movimento não representa uma ruptura inédita, mas sim um retorno a uma relação marcada por desconfiança e divergências.
No cenário interno, o episódio alimenta narrativas opostas. Setores da direita, incluindo grupos bolsonaristas, enxergam a operação como uma ação libertadora e chegaram a especular, de forma retórica, sobre intervenções semelhantes em outros países.
Já a esquerda reagiu com forte crítica, classificando a ofensiva como ilegal, uma violação da soberania regional e um movimento motivado por interesses econômicos, especialmente ligados ao petróleo venezuelano.
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Apesar desse embate simbólico, a consultoria considera improvável que o tema tenha peso decisivo na eleição. A avaliação é que a narrativa crítica à intervenção externa tende a encontrar maior ressonância junto à opinião pública, especialmente diante de experiências recentes de rejeição a sanções e tarifas impostas pelos Estados Unidos. Por outro lado, discursos que sugerem presença militar americana em solo brasileiro devem enfrentar resistência ampla do eleitorado.
Para a 4intelligence, os efeitos políticos da invasão da Venezuela sobre o Brasil devem se diluir ao longo do tempo, ficando restritos ao debate ideológico e à retórica eleitoral. A confirmação ou não desse diagnóstico, ressalta a consultoria, dependerá da evolução do cenário internacional e das próximas rodadas de pesquisas de opinião.