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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixou de apoiar María Corina Machado como sucessora de Nicolás Maduro na Venezuela após ela aceitar o Prêmio Nobel da Paz, segundo informações publicadas pelo Washington Post no último domingo (4).
De acordo com a reportagem, duas pessoas próximas à Casa Branca afirmaram que o presidente perdeu o interesse em impulsionar Machado como principal liderança política da Venezuela após a premiação. Trump, que já manifestou publicamente o desejo de receber o Nobel da Paz, teria interpretado a decisão como uma afronta pessoal.
Segundo uma das fontes ouvidas pelo jornal, a aceitação do prêmio foi considerada um “pecado imperdoável” pelo presidente americano. A avaliação interna era de que, se Machado tivesse recusado o Nobel em favor de Trump, ela poderia hoje ocupar a Presidência da Venezuela.
As declarações ajudam a explicar comentários feitos por Trump no sábado (3), quando minimizou a viabilidade política de Machado. Questionado sobre a líder da oposição democrática venezuelana, o presidente disse que “seria muito difícil para ela ser a líder” do país e afirmou que ela “não tem apoio nem respeito dentro da Venezuela”.
Aliados de Machado foram surpreendidos pelas falas, segundo o Washington Post. A líder oposicionista deixou o país de forma clandestina no mês passado, com apoio dos Estados Unidos, para participar da cerimônia do Nobel na Noruega. Posteriormente, dedicou o prêmio a Trump, mas o gesto não teria revertido o desgaste.
Com Machado e o ex-candidato Edmundo González fora do país, a oposição democrática venezuelana acabou marginalizada no redesenho do poder após a captura de Nicolás Maduro. O governo americano passou a sinalizar disposição para lidar com figuras remanescentes do aparato estatal venezuelano, especialmente na figura da vice Delcy Rodríguez.