Haddad sabe que o Perse “não pode acabar desse jeito”, diz autor do programa

Em entrevista ao InfoMoney, deputado Felipe Carreras (PSB-PE) revela conversa com ministro da Fazenda e diz que programa de incentivo ao turismo “pode ser redesenhado”

Fábio Matos

Deputado federal Felipe Carreras (PSB-PE) é autor da lei que instituiu o Programa Emergencial de Retomada dos Setores de Eventos e Turismo (Perse) (Foto: Divulgação Flickr/Felipe Carreras)

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Autor da lei que instituiu o Programa Emergencial de Retomada dos Setores de Eventos e Turismo (Perse), o deputado federal Felipe Carreras (PSB-PE) teve uma conversa, por telefone, com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), na quarta-feira (7), pouco antes de o chefe da equipe econômica conceder uma entrevista coletiva reiterando que haveria indícios de irregularidades no programa.

Na conversa, em tom cordial, Carreras e Haddad acertaram um possível encontro para depois do Carnaval. Nesta sexta-feira (9), em entrevista ao InfoMoney, o deputado do PSB disse acreditar na “sensibilidade” do ministro para garantir a retomada do Perse, mesmo que com eventuais ajustes.

“Eu falei com o ministro. Ele me ligou na quarta à noite, antes de dar aquela entrevista, e a gente ficou de marcar uma agenda no pós-Carnaval. Eu acredito que o ministro tem consciência de que o programa não pode acabar desse jeito. Ele pode ser redesenhado a várias mãos, com a colaboração do Congresso Nacional e também do setor, que não tem sido radical e quer fazer algum tipo de ajuste”, afirmou Carreras.

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“A conversa (com Haddad) foi boa. Eu acredito na sensibilidade do ministro. Ele está aberto a conversar”, observou o deputado.

Instituído em 2021, o Perse tem como objetivo socorrer o setor de turismo e eventos, um dos mais atingidos pelos efeitos econômicos da pandemia de Covid-19. Em dezembro, Haddad propôs o fim gradual do programa até 2025. A revogação foi incluída na Medida Provisória (MPV 1202/2023) de reoneração da folha de pagamentos de 17 setores da economia, contestada na Câmara e no Senado.

O texto prevê a volta da cobrança da CSLL, do PIS/Pasep e da Cofins para os setores hoje beneficiados já a partir de abril deste ano, cumprindo a noventena exigida pela Constituição Federal. A retomada da incidência do IRPJ, por outro lado, ocorreria somente em 2025, dada a necessidade de atendimento ao princípio da anualidade − ou seja, a regra só pode valer no exercício seguinte ao de sua aprovação.

Na mesma quarta-feira em que conversou com Haddad, o parlamentar do PSB pernambucano também concedeu uma entrevista coletiva na qual afirmou que a retomada do Perse é apoiada por um grupo de pelo menos 300 deputados – tanto da base do governo quanto da oposição. Carreras liderou um ato político em defesa do programa, realizado no mesmo dia, na Câmara.

Durante sua entrevista coletiva, o deputado havia cobrado de Haddad uma reunião envolvendo representantes do Ministério da Fazenda, do Congresso e de entidades do setor. Segundo o parlamentar, esse encontro estava marcado, mas foi cancelado sem maiores explicações.

Na conversa com a reportagem do InfoMoney, nesta sexta, Carreras minimizou o desencontro. “Foi uma semana de volta aos trabalhos, eu não tenho nenhum tipo de problema em relação a não ter acontecido essa agenda. Estamos dispostos a colaborar”, afirmou.

Irregularidades não mancham programa, diz deputado

Na conversa com a reportagem, Felipe Carreras disse que eventuais ilegalidades praticadas por empresas que aderiram ao Perse não podem implicar na extinção do programa. A informação sobre as supostas ilicitudes foi publicada inicialmente pelo jornal Folha de S.Paulo.

“O Minha Casa Minha Vida é exitoso e teve alguns episódios de corrupção. Não é por causa disso que o programa parou. Tem que continuar porque cumpre um papel social importante. O Bolsa Família também já teve corrupção comprovada e não é por isso que vai se macular um programa tão bem desenhado e que cumpre um papel tão importante”, comparou o deputado.

“Se há indício de alguém praticando algum ilícito, que seja punido com rigor. Isso é papel do Estado, da Secretaria da Receita Federal e do Ministério da Fazenda. Tenho certeza de que isso não vai macular um programa tão bem feito, aprovado pelo Congresso Nacional. Todas as vezes em que o Perse foi levado a teste, o Congresso deu a mão ao programa”, prosseguiu Carreras.

O deputado do PSB também afirmou que dados coletados junto a representantes do setor de turismo e eventos vão na contramão de estimativas da Receita Federal que apontam para R$ 17 bilhões em renúncias fiscais no Perse.

“Estamos conversando com o setor. Eles têm estudos que estão sendo concluídos em relação ao consumo do benefício, com números que confrontam esse anunciado, de R$ 17 bilhões. Primeiramente, temos de contar com informação técnica e qualificada para poder encontrar um caminho”, ponderou. “Nosso grupo permanece fazendo agendas em seus estados, conversando com os parlamentares. Logo após o Carnaval, deve haver uma nova agenda, um outro movimento nacional em defesa do setor.”

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Fábio Matos

Jornalista formado pela Cásper Líbero, é pós-graduado em marketing político e propaganda eleitoral pela USP. Trabalhou no site da ESPN, pelo qual foi à China para cobrir a Olimpíada de Pequim, em 2008. Além do InfoMoney, teve passagens por Metrópoles, O Antagonista, iG e Terra, cobrindo política e economia. Como assessor de imprensa, atuou na Câmara dos Deputados e no Ministério da Cultura. É autor dos livros “Dias: a Vida do Maior Jogador do São Paulo nos Anos 1960” e “20 Jogos Eternos do São Paulo”.