Equilíbrio de poder

Governo Temer põe em prática plano para enfraquecer PSDB

Conta a reportagem do Valor Econômico que aliados do presidente apontam como inevitável o paulatino afastamento tucano da base, tendo em vista as pretensões do partido em retornar à presidência da República a partir de 2018

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SÃO PAULO – As eleições para a sucessão do deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) na presidência da Câmara ocorrerão apenas no ano que vem, mas o governo já começou a articular nos bastidores para emplacar um nome capaz de manter a base aliada unida. Conforme conta matéria do jornal Valor Econômico, o plano de Michel Temer é costurar a reeleição do parlamentar carioca, já que vê como única possibilidade de manter a balança de poder entre o centrão e a antiga oposição, tendo em vista os interesses de ambos os grupos em comandar a casa. O Planalto teme que uma candidatura do PSDB antecipe um distanciamento dos tucanos da base.

Conta a reportagem que aliados de Temer apontam como inevitável o paulatino afastamento tucano da base, tendo em vista as pretensões do partido em retornar à presidência da República a partir de 2018 — o que certamente gerará uma disputa mais acirrada dentro da base com o aproximar dessas eleições. Conforme apontou o analista político da XP Investimentos, Richard Back, em entrevista ao InfoMoney na última quinta-feira, o trunfo de Maia é manter os tucanos divididos — hoje, o partido tem três principais candidatos, sendo que os nomes mais cotados são Antonio Imbassahy (BA) e Carlos Sampaio (SP).

Do lado do centrão, é possível que muitos nomes se candidatem a fim de conquistarem maior poder político e relevância em negociações futuras. De todo modo, os deputados que aparecem como opções mais fortes são o líder do PSD, Rogério Rosso (DF) — derrotado por Maia na sucessão de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) –, e Jovair Arantes (GO), líder do PTB na casa.

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Oficialmente, o discurso do Planalto é aquele mesmo: o assunto não está em pauta e Michel Temer não vai interferir. No entanto, conta o Valor Econômico que integrantes do governo estão confiantes na reeleição de Maia — que ainda depende de alteração em interpretação do regimento interno da casa, que em tese não permite recondução do cargo, embora o deputado do DEM possa argumentar que apenas cumpriu um mandato-tampão.