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O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já trabalha com a possibilidade de flexibilizar a meta fiscal das estatais federais em 2026 para absorver os custos do plano de reestruturação dos Correios.
Segundo uma apuração da Folha de S. Paulo, a avaliação interna é que, sem essa mudança, o Executivo teria de repetir em pleno ano eleitoral o bloqueio de despesas adotado em 2025, quando precisou segurar R$ 3 bilhões para compensar o déficit maior das empresas públicas.
O desequilíbrio decorre principalmente do pacote de socorro aos Correios. A estatal aprovou um empréstimo de R$ 20 bilhões com bancos públicos e privados, que financiará um amplo programa de reorganização financeira: demissões voluntárias, regularização de pagamentos atrasados, quitação de dívidas e modernização operacional.
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Embora o empréstimo entre na conta como receita financeira, e, portanto, não impacte a meta fiscal, as despesas geradas por ele são classificadas como primárias, o que pressiona o resultado das estatais.
O PLDO de 2026, enviado ao Congresso em abril, antes do aprofundamento da crise, autoriza um déficit de até R$ 6,75 bilhões para as estatais, além de R$ 5 bilhões extras para investimentos do PAC.
Interlocutores do governo afirmam ao jornal que esse valor já não é compatível com o plano de sustentabilidade dos Correios. A tendência, dizem, é elevar o limite de déficit das estatais para 2026, desde que a empresa apresente cronograma claro e compromisso firme com as medidas de reestruturação.
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Ainda não há um número fechado, que dependerá das projeções atualizadas da própria estatal.
A flexibilização, porém, não é consenso. Uma ala do governo teme impacto negativo sobre a percepção de investidores, especialmente à luz do efeito sobre a dívida pública.
Embora a meta das estatais seja calculada separadamente, um déficit maior pode pressionar o indicador, num momento em que o governo busca demonstrar compromisso com o novo arcabouço fiscal. Para 2026, a meta do governo central prevê superávit de 0,25% do PIB, com margem para déficit zero.