Vingança

Governo começa a punir “traidores” da base que votaram contra Michel Temer em denúncia

Votação mais magra faz com que Planalto acelere processo de retaliação de infiéis e recompensa a apoiadores

SÃO PAULO – Após o registro de um resultado aquém do esperado na votação que rejeitou a segunda denúncia apresentada contra o presidente Michel Temer, o Palácio do Planalto começou o processo de retaliar afilhados de deputados que foram infiéis no processo. Conforme noticia a coluna Painel da Folha de S. Paulo, deputados de partidos da base que se declararam favoráveis ao afastamento do peemedebista foram a gabinetes de ministros para pedir clemência, sob a argumentação de que apoiaram o impeachment de Dilma Rousseff e propostas importantes apresentados pela gestão Temer.

Na primeira denúncia, o governo obteve apoio de 263 parlamentares, que votaram com o relatório do deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), e outros 19 que se ausentaram. Na segunda, foram 251 votos favoráveis ao relatório de Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) e 25 ausências. O governo avalia que os aliados que votaram contra o presidente se “acovardaram” e devem ser retaliados.

De acordo com a nota, o Planalto decidiu que os ministérios do PSDB, partido que, apesar de aliado, votou majoritariamente a favor de abertura de processo penal contra o presidente, serão redistribuídos em março. Uma das pastas mais importantes comandadas pelo partido é a das Cidades, importante posto em um ano eleitoral, hoje sob comando de Bruno Araújo (PSDB-PE).

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A avaliação do governo seria de que qualquer mudança agora poderia comprometer a aprovação da agenda de reformas. Com isso, a ação mais dura contra os tucanos ocorreria já às vésperas do início da corrida eleitoral, o que tende a incomodar membros do chamado “centrão”, que há tempos pedem a cabeça de Antonio Imbassahy, hoje na Secretaria de Governo.

Conforma conta a Coluna do Estadão, do jornal O Estado de S. Paulo, o Diário Oficial da União já começou a trazer demissões de apadrinhados de deputados “traidores”. Segundo a nota, o governo decidiu cumprir rápido a promessa de que parlamentares infiéis não serão perdoados, para recompensar sua base de apoio que assumiu o ônus e defendeu o peemedebista.