Análise

Governo ainda tem alternativas para manter foro privilegiado de Rocha Loures e evitar delação

Recusa de Osmar Serraglio complica cenário para Michel Temer, mas ainda restam planos de emergência

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SÃO PAULO – A decisão do ex-ministro da Justiça Osmar Serraglio de recusar o convite do governo para ocupar o ministério da Transparência no lugar de Torquato Jardim provocou preocupação no Palácio do Planalto. Isso porque a consequência imediata seria a perda do foro privilegiado de Rodrigo da Rocha Loures (PMDB-PR), ex-assessor especial do presidente Michel Temer, flagrado pela Polícia Federal carregando uma mala com R$ 500 mil em propina pagos pelo  empresário Joesley Batista, da JBS (JBSS3).

Candidato a deputado federal nas últimas eleições, Loures é o primeiro suplente do PMDB na Câmara. No Paraná, o partido não se coligou com outras legendas. O aliado de Temer assumiu posto titular depois que a convocação de Serraglio — deputado peemedebista — para a Esplanada dos Ministérios deixou aberta uma vaga para os suplentes do partido na casa.

Com a volta de Serraglio — que, substituído por Jardim recusou oferta do governo para outra pasta — à Câmara, Loures volta a ser suplente e perde o foro privilegiado que tinha como parlamentar. Em meio à gravidade de sua situação, já há forte especulação de que ele resolva fechar um acordo de delação premiada com os investigadores, o que poderia colocar o governo Temer em posição de ainda maior debilidade.

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Haveria, no entanto, possibilidade de o governo, caso interessado, tentar recuperar o foro privilegiado de Rocha Loures. Nesta hipótese, a alternativa seria conseguir que um dos outros três deputados federais do PMDB no Paraná — João José de Arruda Júnior, Hermes Parcianello ou Sérgio de Souza — se licencie do cargo por qualquer motivo. Tal estratégia, porém, é arriscada, receberia duros ataques do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e culminaria em ainda mais críticas da opinião pública ao governo. Isso se não couberem acusações de obstrução à Justiça.