Gleisi descarta anistia a Bolsonaro, mas admite debate sobre redução de penas do 8/1

Ministra diz que PT será firme contra perdão, mas vê espaço para discussão no STF e no Congresso sobre dosimetria

Marina Verenicz

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Gleisi Hoffmann (Foto: Foto:
Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Gleisi Hoffmann (Foto: Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

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A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, reforçou neste sábado (13) a posição do governo contra qualquer tentativa de anistia aos envolvidos nos ataques golpistas de 8 de Janeiro. Ao mesmo tempo, admitiu que pode haver espaço para discutir a redução das penas, tanto no Congresso quanto no Supremo Tribunal Federal (STF).

Em evento do PT no Paraná, Gleisi afirmou que a discussão sobre dosimetria é legítima, mas não deve ser confundida com perdão. “Se querem discutir redução de pena, é outra coisa. Cabe ao STF, ou até ao Congresso, avaliar um projeto. Mas isso não tem nada a ver com anistia ou com perdão”, disse, em fala registrada pela Folha de S.Paulo.

Estratégia contra a anistia

O PT tenta conter o avanço de projetos de anistia no Legislativo, que poderiam beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado pelo STF a 27 anos de prisão por tentar articular um golpe de Estado. Para Gleisi, a concessão de perdão seria “um presentinho para Donald Trump”, numa referência à aliança política entre o republicano e Bolsonaro.

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A ministra disse ainda que o partido não pode “piscar” diante da pressão do Congresso: “Não podemos de maneira nenhuma olhar ou piscar para a questão da anistia. Vamos ser firmes, vamos ter que enfrentar o Congresso nesta pauta”.

Pressão da oposição

Durante o julgamento de Bolsonaro, a oposição intensificou articulações pela anistia na Câmara dos Deputados. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tem atuado como um dos principais patrocinadores da proposta, buscando apoio no Centrão. A decisão sobre pautar o texto cabe ao presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), que sofre pressão direta de aliados de Bolsonaro.

Gleisi também criticou o voto do ministro Luiz Fux, único a divergir da maioria e absolver Bolsonaro. Segundo ela, a posição foi “um desserviço” e “uma vergonha nacional”, pois deu espaço para que bolsonaristas questionassem o processo. “Os outros votos foram primorosos”, destacou