Gilmar Mendes diz que CPI não tem base legal para indiciar ministros do STF

Ministro afirma que pedido de indiciamento de membros do Supremo extrapola poderes da comissão e defende que excessos sejam investigados pela PGR

Sara Baptista

Ministro Gilmar Mendes durante a Sessão plenária do STF - 12/06/2024 (Foto: Andressa Anholete/SCO/STF)
Ministro Gilmar Mendes durante a Sessão plenária do STF - 12/06/2024 (Foto: Andressa Anholete/SCO/STF)

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O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes afirmou nesta terça-feira (14) que a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado não tem “base legal” para pedir o indiciamento de ministros da Corte. Para ele, o pedido do relator Alessandro Vieira (MDB-SE) extrapola as atribuições da comissão.

Gilmar foi o primeiro magistrado a se manifestar sobre o relatório final de Vieira, que será votado no encerramento da CPI nesta tarde. Na avaliação do ministro, o texto “leva a uma reflexão sobre o papel e os poderes das CPIs”, especialmente quando há tentativa de criminalizar decisões judiciais.

“As CPIs são instrumentos legítimos e essenciais ao controle do exercício do poder. Seu emprego para fins panfletários ou de constrangimento institucional, contudo, compromete sua credibilidade e reforça a necessidade de modernização da legislação sobre crimes de responsabilidade”, escreveu o decano do STF em uma publicação no X.

Gilmar também defendeu que a CPI seja investigada pela PGR (Procuradoria-Geral da República): “Excessos desse quilate podem caracterizar abuso de autoridade e devem ser rigorosamente apurados pela Procuradoria-Geral da República.”

Relatório

Publicado na madrugada desta terça, o relatório final da CPI do Crime Organizado pede, pela primeira vez na história, o indiciamento de ministros do Supremo.

Mesmo que o documento seja aprovado na sessão final da comissão, o pedido ainda precisa ser encaminhado ao Ministério Público e a outras autoridades competentes, que poderão promover responsabilizações civis ou criminais, além de adotar medidas judiciais cabíveis, de acordo com o resultado das investigações.

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O texto de Alessandro Vieira também aponta “omissão total e silêncio institucional” do procurador-geral da República, Paulo Gonet, no caso do Banco Master e no possível envolvimento de ministros do STF com o empresário Daniel Vorcaro.

O relatório ainda recomenda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decrete intervenção federal na área de segurança pública do Rio de Janeiro.