Ministro polêmico

Geddel chora em reunião com líderes da base aliada ao se defender das denúncias

Após o encontro, os líderes de partidos da base do governo federal informaram que apresentarão um manifesto de apoio ao ministro

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SÃO PAULO – O ministro-chefe da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima, que é alvo de investigação pela Comissão de Ética Pública da Presidência, emocionou-se e chorou ao receber apoio dos líderes dos partidos da base aliada na Câmara em reunião no Palácio do Planalto.

De acordo com informações do Valor e do Estadão, citando pessoas que participaram da reunião, Geddel chorou ao falar sobre as declarações do ex-ministro da Cultura Marcelo Calero, que o acusou de pressioná-lo para interferir no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e liberar uma obra em Salvador, onde possui um apartamento.

Geddel agradeceu o apoio de líderes e atribuiu o seu jeito “despachado” – que Calero qualificou como truculento – ao seu pai, morto no início do ano, o ex-deputado Afrísio Vieira Lima.

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Após o encontro, os líderes de partidos da base do governo federal informaram que apresentarão um manifesto de apoio ao ministro. Segundo o líder do governo na Câmara dos Deputados, André Moura (PSC-SE), Geddel tratou do tema “informalmente” com Calero, não havendo, portanto, “qualquer pressão, gerência ou imposição” para que o ex-ministro facilitasse a construção do edifício. 

“Geddel havia tratado isso de maneira informal. Estão fazendo tempestade em assunto pequeno porque não houve pressão, ingerência ou imposição por parte dele. Há muitas questões mais importantes a serem cuidadas. Assim sendo, Geddel continua com o apoio de todos os líderes de governo e da base [na Câmara dos Deputados]. Trata-se apenas de uma questão pontual”, argumentou o líder do governo, André Moura.

Um dos líderes de partidos da base a sair em defesa de Geddel foi o deputado Pauderney Avelino (DEM-AM). “Acho que o que aconteceu foi apenas uma conversa entre colegas de ministérios, que foi interpretada de forma equivocada; uma coisa de proporções paroquiais que veio para cá e ganhou proporção nacional. Acredito que, por acaso, neste episódio, estava envolvida uma questão pessoal”, disse Pauderney, após se reunir com os demais líderes da base, no Palácio do Planalto.

O líder do DEM, no entanto, admitiu “não ser adequada” a atitude de Geddel. “Todos nós somos falíveis. É hora de passar por cima dessa falha e cuidar daquilo que temos de cuidar. Há problemas enormes para resolver. No país há uma onda enorme de desavenças, e precisamos dar atenção aos temas que todos conhecemos, com pressa, uma vez que a expectativa de melhora está perdendo a força”, disse ele. “Foi apenas uma falha humana”, completou.

Por meio do porta-voz da Presidência da República, Alexandre Parola, o presidente Michel Temer decidiu manter no cargo o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima.

A Comissão de Ética Pública da Presidência da República decidiu abrir procedimento para apurar a conduta ética de Geddel. O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), informou que seu partido pretende entrar com representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ministro-chefe da Secretaria de Governo.

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(Com Agência Brasil)