Flávio perde apoio onde mais precisava crescer para vencer Lula, diz cientista

Queda do senador aparece justamente entre os grupos mais disputados da eleição e que ainda demonstram disposição para mudar de voto

Marina Verenicz

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A queda recente de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas pesquisas de intenção de voto tem chamado atenção pelo recorte do eleitorado onde ela ocorreu.

A pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quinta-feira (28) mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 46,5% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro, que soma 41,4%.

Segundo o levantamento, a queda do senador foi mais intensa entre eleitores com renda acima de cinco salários mínimos, jovens de 16 a 24 anos e pessoas que se identificam como centro-direita.

Segundo analistas ouvidos no Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, os eleitores que mais se afastaram do senador não pertencem necessariamente ao núcleo duro do bolsonarismo, mas ao segmento que seria fundamental para ampliar sua candidatura além da base tradicional da direita.

A avaliação ajuda a explicar por que o impacto político do caso Banco Master gerou preocupação dentro da campanha. Mais do que perder apoio entre bolsonaristas históricos, Flávio passou a enfrentar dificuldades justamente junto ao eleitorado que vinha tornando sua candidatura competitiva nacionalmente.

“A centro-direita são aqueles eleitores que ainda estão dispostos a mudar seu voto e que têm, provavelmente, uma rejeição ao Lula e também uma rejeição ao pai de Flávio, a Jair Bolsonaro”, afirmou a cientista política Graziella Testa.

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Segundo ela, trata-se de um eleitorado muito diferente daquele que vota automaticamente em função da identidade partidária ou ideológica.

“Possivelmente são eleitores que podem mudar ainda. Não são aqueles eleitores que já estão cristalizados numa posição política.”

O eleitor mais importante da eleição

A observação ajuda a entender por que as campanhas monitoram com tanta atenção os movimentos desse grupo. Num cenário de polarização consolidada, tanto Lula quanto Flávio já possuem parcelas expressivas do eleitorado relativamente estabilizadas. O espaço decisivo da disputa está justamente entre os eleitores que ainda transitam entre candidaturas ou que podem migrar para a indecisão.

Para Graziella, o comportamento recente das pesquisas sugere que os impactos do caso Master apareceram primeiro nesse segmento.

“A gente está captando os resultados do escândalo do Master. A gente está captando esses efeitos agora.”

Isso ajuda a explicar por que a queda registrada em alguns levantamentos ocorreu mesmo sem uma ruptura significativa da base bolsonarista. Os eleitores mais fiéis tendem a permanecer ao lado do candidato por mais tempo. Já os setores moderados costumam reagir mais rapidamente a episódios de desgaste político.

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Nem Lula, nem Bolsonaro

A centro-direita, descrita pela cientista, reúne justamente eleitores que demonstram resistência aos dois polos tradicionais da disputa. São pessoas que rejeitam Lula, mas que também carregam reservas em relação ao bolsonarismo mais ideológico. Por isso, representam uma oportunidade para candidaturas que consigam transmitir moderação, previsibilidade econômica e estabilidade institucional.

Foi nesse espaço que Flávio Bolsonaro vinha avançando ao longo dos últimos meses. Ao tentar construir uma imagem menos confrontacional do que a do pai, o senador conseguiu reduzir diferenças em pesquisas de segundo turno e se aproximar de Lula em diversos levantamentos.

O problema é que esse eleitor costuma ser também o mais sensível a temas ligados à integridade, governança e corrupção.

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“São exatamente os eleitores que analisam mais custo-benefício antes de decidir o voto”, observou Graziella durante o debate.

A análise é que a recuperação de Flávio não depende apenas de mobilizar sua base tradicional, mas principalmente de reconquistar esse eleitorado intermediário.

A estratégia explica movimentos recentes da campanha para reforçar pautas econômicas, ampliar o discurso de previsibilidade e reduzir a associação direta com temas mais polarizadores.

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Ao mesmo tempo, episódios como a visita a Donald Trump e a retomada do discurso sobre segurança pública ajudam a consolidar a base bolsonarista, mas não necessariamente resolvem o problema entre os moderados.