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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, afirmou nesta terça-feira (28) que o “caos” na segurança pública do Rio de Janeiro decorre do alto poder financeiro das facções criminosas, que estariam atuando não apenas no tráfico de drogas, mas também dentro do mercado formal.
“Por que está essa confusão no Rio de Janeiro? Está esse caos porque as facções criminosas estão ultracapitalizadas. E elas se capitalizam como? Elas não ganham dinheiro só vendendo droga — é dentro do mercado formal”, declarou o ministro durante o Fórum Nacional Brasil Export Infraestrutura 2025.

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Dino citou a megaoperação policial deflagrada nesta semana nos complexos do Alemão e da Penha, que deixou 64 mortos, sendo 60 suspeitos e 4 policiais, incluindo o chefe da 53ª DP, Marcus Vinicius Cardoso de Carvalho. A ação foi a mais letal da história do Rio de Janeiro, segundo o governo estadual.
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Instituições financeiras
Ao detalhar sua análise, Dino afirmou que as facções ampliaram suas fontes de receita e hoje operam em atividades como garimpo, mercado imobiliário e combustíveis.
“Foi-se o tempo em que as facções viviam apenas do mercado ilegal. Hoje, são grandes operadoras do garimpo, do mercado imobiliário, do mercado de combustíveis. Onde está esse dinheiro? Embaixo do colchão? Não. Está nas instituições financeiras”, disse o ministro, ao sugerir a necessidade de maior controle sobre a origem dos recursos movimentados pelo sistema bancário.
O magistrado fez a declaração ao comentar a nova resolução da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), que obriga bancos a bloquear movimentações suspeitas e encerrar contas laranja, frias ou ligadas a apostas ilegais.
“Estamos criando um marco no processo de depuração de relacionamentos tóxicos com clientes que alugam ou vendem contas e que utilizam o sistema financeiro para lavar o dinheiro sujo do crime”, afirmou o presidente da Febraban, Isaac Sidney, em nota oficial.
Megaoperação
A operação Contenção mobilizou 2.500 agentes das polícias Civil e Militar e resultou na prisão de 81 pessoas, além da apreensão de 72 fuzis, 200 quilos de drogas e nove motocicletas.
O governador Cláudio Castro (PL), por sua vez, voltou a responsabilizar o governo federal por não autorizar o uso de blindados das Forças Armadas.
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“Já pedimos os blindados algumas vezes e todos foram negados. Falaram que tinha que ter GLO, porque o servidor que opera o blindado é federal. E o presidente é contra a GLO. Cada dia nós temos uma razão de não colaborar”, afirmou Castro.
Em resposta, o Ministério da Justiça e Segurança Pública, chefiado por Ricardo Lewandowski, negou omissão e disse que atendeu a todos os pedidos do governo fluminense desde 2023.
“Todas as 11 solicitações de renovação da Força Nacional de Segurança Pública foram acatadas”, afirmou a pasta em nota.
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