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O jornal britânico Financial Times publicou nesta segunda-feira (25) uma reportagem afirmando que o filme Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro (PL), passou de ativo político potencial a foco de desgaste para a pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A publicação relaciona diretamente a crise envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, ao financiamento da produção cinematográfica. Segundo o jornal, o caso levantou dúvidas dentro do campo bolsonarista sobre a viabilidade eleitoral de Flávio, escolhido por Jair Bolsonaro como herdeiro político após a condenação do ex-presidente no processo da trama golpista.
“Antes mesmo de seu lançamento, a cinebiografia em inglês está se transformando em uma comédia de erros”, escreveu o Financial Times, ao citar as revelações publicadas pelo Intercept Brasil sobre os repasses milionários destinados ao longa.
Segundo o jornal, o acordo previa um financiamento de US$ 24 milhões — cerca de R$ 134 milhões na cotação da época — para a produção do filme. O material divulgado aponta que R$ 61 milhões teriam sido liberados entre fevereiro e maio de 2025.
A reportagem britânica afirma que o escândalo envolvendo Vorcaro atingiu diretamente a campanha de Flávio porque o banqueiro é investigado por suspeitas de irregularidades relacionadas ao colapso do Banco Master. O senador nega ter cometido qualquer ilegalidade.
O Financial Times também descreve Vorcaro como alguém que cultivava relações com autoridades e integrantes de instituições estratégicas enquanto mantinha “um estilo de vida luxuoso”, em um ambiente que críticos classificariam como tráfico de influência.
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Mensagens ampliaram desgaste
A publicação menciona ainda as mensagens reveladas pelo Intercept Brasil nas quais Flávio Bolsonaro cobra a liberação de novos pagamentos para o filme. Em uma das conversas divulgadas, o senador chama Vorcaro de “irmão” e afirma: “Estou e estarei contigo sempre”.
O episódio marcou a primeira grande crise da pré-campanha presidencial do filho mais velho de Jair Bolsonaro desde o lançamento de sua candidatura pelo PL.
Nos bastidores do partido, aliados avaliam que o caso prejudicou principalmente o eleitorado mais moderado e ampliou pressões sobre a estratégia eleitoral da direita para 2026.
Apesar disso, o jornal britânico destaca que Jair Bolsonaro segue como principal liderança do campo conservador brasileiro e que qualquer eventual mudança na candidatura dependeria diretamente do ex-presidente.
Steve Bannon aposta no filme
Mesmo diante da crise política, aliados internacionais do bolsonarismo seguem tratando Dark Horse como um projeto de potencial global. O ex-estrategista da Casa Branca Steve Bannon afirmou ao Financial Times que pretende ajudar na divulgação do filme nos Estados Unidos.
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Segundo Bannon, a escolha do ator Jim Caviezel para interpretar Bolsonaro pode impulsionar o alcance da produção entre apoiadores do movimento MAGA, ligado ao presidente Donald Trump.
“Se você está no Brasil e ouve falar que estão fazendo um filme sobre o seu ex-presidente, com uma grande estrela de Hollywood no elenco, esse tipo de coisa multiplica o investimento em termos de alcance”, disse Bannon ao jornal britânico.
O longa retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro e concentra parte da narrativa no atentado a faca sofrido durante a campanha presidencial de 2018.
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A repercussão internacional do caso ocorre no momento em que Flávio Bolsonaro tenta reorganizar sua pré-campanha após a divulgação dos áudios envolvendo Vorcaro. Nesta semana, o senador deve viajar a Washington para uma possível reunião com Donald Trump.
