Escala 6×1 ou maioridade penal: disputa pela agenda pode definir a eleição

Para Renato Meirelles, fundador do Instituto Locomotiva, quem conseguir impor os temas centrais da campanha terá vantagem na corrida presidencial

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Para além da troca de votos entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT), a capacidade de cada campanha definir os assuntos que dominarão do debate público pode ser fator definitivo para a vitória. A avaliação é de Renato Meirelles, fundador do Instituto Locomotiva, que vê uma disputa crescente entes os candidatos ao Palácio do Planalto para estabelecer a agenda da eleição.

Durante a participação no Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, ainda não existe, nessa fase inicial da campanha, nenhum tema dominante da agenda eleitoral. E, é justamente nesta indefinição que surge espaço para uma disputa entre pautas ligadas à economia e aos direitos trabalhistas.

“A grande pergunta é: qual vai ser a agenda da eleição? Ela ainda não está dada. Vai ser redução da maioridade penal? Vai ser o fim da escala 6×1? Vai ser segurança pública? Vai ser economia? Essa disputa para definir sobre o que a eleição será debatida talvez seja mais importante do que a própria troca de votos entre os candidatos”, afirmou.

Para explicar esse raciocínio, Meirelles destacou duas propostas que, embora estejam em lados opostos do espectro político, contam com amplo apoio popular: o fim da jornada de trabalho 6×1, defendido pelo governo, e a redução da maioridade penal, tradicional bandeira da direita.

“Vou pegar duas propostas que têm potencial de mexer no ponteiro. O fim da jornada 6×1, que provavelmente vai ser a grande bandeira do governo, e a redução da maioridade penal. Dois terços dos brasileiros defendem o fim da jornada 6×1. Dois terços dos brasileiros defendem a redução da maioridade penal”, afirmou.

Na avaliação do pesquisador, os cerca de um terço de eleitores que não se posicionam firmemente em nenhuma dessas agendas representam justamente a parcela capaz de decidir o resultado da eleição.

“Quem é esse um terço que oscila? É o eleitor que vai decidir a eleição. E aí entra a escolha do território onde essa eleição será disputada, o que os marqueteiros chamam de agenda”, disse.

Meirelles avalia que a disputa entre as campanhas será menos sobre apresentar novas propostas e mais sobre convencer o eleitor de que determinado tema merece prioridade.

“Essas propostas têm potencial de pautar a agenda eleitoral. O desafio é fazer com que a campanha seja discutida a partir do tema que mais favorece cada candidato”, afirmou.

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Na prática, isso significa que o governo tentará manter o foco em pautas ligadas ao mercado de trabalho, renda e proteção social, enquanto a oposição buscará colocar segurança pública e endurecimento das leis penais no centro da campanha.

Para Meirelles, esse será o principal trabalho dos estrategistas de Lula e Flávio Bolsonaro até o primeiro turno.

“Se eu estivesse no lugar de qualquer um dos dois, do Sidônio ou do Duda Lima, o olhar estratégico seria: como fazer com que a pauta seja o fim da jornada 6×1 e não a redução da maioridade penal? Porque essas são as duas propostas de cada lado com potencial para conquistar o eleitor que, no limite, vai decidir a eleição”, afirmou.

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Na avaliação do fundador do Instituto Locomotiva, é justamente esse eleitor — menos identificado com um dos polos e mais sensível aos temas que dominarem o debate — que deve definir o resultado da disputa presidencial.

O Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 6h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.