Entenda a ação nos EUA que coloca Alexandre de Moraes contra Trump Media e Rumble

Justiça da Flórida autorizou citação do ministro do STF por e-mail em processo movido pela Rumble e por empresa ligada a Donald Trump

Marina Verenicz

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A Justiça federal dos Estados Unidos autorizou que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes seja citado por e-mail em uma ação movida pela plataforma Rumble e pela Trump Media & Technology Group, empresa responsável pela Truth Social, rede social ligada ao presidente Donald Trump.

A decisão foi tomada por uma corte da Flórida e destravou um processo que estava parado desde 2025 por dificuldades de notificação formal do ministro brasileiro.

Entenda abaixo os principais pontos do caso.

O que motivou a ação nos EUA?

A ação foi aberta pela Rumble e pela Trump Media sob a alegação de que decisões de Alexandre de Moraes violaram a liberdade de expressão garantida pela Primeira Emenda da Constituição americana.

As empresas questionam ordens emitidas pelo ministro determinando a remoção de perfis e conteúdos ligados a influenciadores brasileiros alinhados à direita, entre eles Allan dos Santos.

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Segundo as companhias, as determinações do STF extrapolariam os limites da jurisdição brasileira ao afetar empresas sediadas nos Estados Unidos.

Por que a Trump Media entrou no processo?

Embora não tenha sido alvo direto das decisões de Moraes, a Trump Media afirma que depende da infraestrutura tecnológica da Rumble para operar a Truth Social.

Com isso, sustenta que também teria sido impactada pelas medidas judiciais brasileiras relacionadas à plataforma. A Trump Media pertence ao grupo empresarial ligado a Donald Trump.

O que a Justiça americana decidiu agora?

A corte da Flórida não analisou se Moraes cometeu irregularidades ou censura. A decisão tratou apenas da forma de citação do ministro.

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A juíza autorizou que a notificação seja feita por e-mail após meses de tentativa frustrada de comunicação pelas vias diplomáticas previstas na Convenção da Haia.

O tribunal também permitiu que parte dos documentos anexados ao processo permaneça sob sigilo.

Por que a Convenção da Haia entrou na discussão?

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Os advogados da Rumble e da Trump Media afirmaram que tentaram notificar Moraes formalmente por meio da Convenção da Haia, tratado internacional utilizado para comunicações judiciais entre países.

Segundo eles, o procedimento não avançou porque autoridades brasileiras teriam dificultado a tramitação.

Com isso, as empresas pediram autorização excepcional para usar a citação eletrônica.

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A corte americana aceitou o argumento com base em entendimentos recentes da Justiça da Flórida sobre notificações internacionais por e-mail.

O que acontece agora?

A Rumble e a Trump Media terão 30 dias para encaminhar formalmente a citação aos endereços eletrônicos ligados ao gabinete de Moraes e comprovar o envio à Justiça americana. Depois disso, começa a contar o prazo para manifestação da defesa.

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Caso Moraes não responda nem peça prorrogação, as empresas poderão solicitar o chamado “registro de revelia”.

O que significa julgamento à revelia?

A revelia permite que o processo continue tramitando sem participação da defesa.

Na prática, isso não representa condenação automática nem decisão imediata contra Moraes. O mecanismo apenas impede que a ausência de resposta paralise a ação.

Mesmo em caso de revelia, a Justiça americana ainda precisaria analisar o mérito das acusações feitas pelas empresas.