Emenda parlamentares são o ‘maior vetor de corrupção’ da burocracia estatal, diz Dino

Fala foi feita por meio de uma videoconferência em um encontro do Grupo de Estudos de Lavagem de Dinheiro da USP.

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino disse nesta segunda-feira que as emendas parlamentares são hoje o “vetor maior de corrupção” na administração pública. A fala foi feita por meio de uma videoconferência em um encontro do Grupo de Estudos de Lavagem de Dinheiro da USP.

O tema do encontro desta segunda-feira foi “Criminalidade, estado e mercado”. A conversa foi conduzida pelos professores Ana Elisa Bechara, Pierpaolo Cruz Bottini e Renato de Mello de Jorge Silveira. 

“Quando somos chamados a falar de criminalidade, Estado e mercado, se nós olharmos apenas para o estamento estatal burocrático, não vejo hoje vetor maior de corrupção senão as emendas parlamentares. É algo que percorre as três instâncias federativas e é algo que percorre, em certo sentido, os três poderes e, fortemente, a advocacia”, disse Dino, segundo o jornal Valor Econômico. 

O ministro acrescentou ainda que, apesar de nem todas as emendas estarem ligadas à corrupção, “não há dúvida de que é algo que, infelizmente, as configura muito largamente”. Na conversa, ele afirmou que, além de casos de obras inexistentes e compras superfaturadas, há casos de “pacientes que teriam tido 50 dentes de sua boca extraídos”.

Na conversa, Dino lembrou que a pandemia foi o marco zero da forma atual assumida pelas emendas parlamentares.

“É algo a ser estudado como tão rapidamente engenhos criminosos se formaram por dentro disso, na alocação de recursos para a saúde. Naquele momento surge o Orçamento secreto com a dimensão que tem hoje”, disse Dino.