Em reação às acusações dos EUA, Lula divulga dados sobre combate ao desmatamento

Durante anúncio dos dados, o presidente brasileiro também teceu críticas ao governo dos EUA sem citar nominalmente Donald Trump

Caio César

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante 7ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, no Palácio Itamaraty, em Brasília. Foto: Ricardo Stuckert / PR
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante 7ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, no Palácio Itamaraty, em Brasília. Foto: Ricardo Stuckert / PR

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) divulgou, nesta quinta-feira (11), dados que apontam uma redução do desmatamento no Brasil. O anúncio ocorreu durante visita técnica a um observatório da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica, que monitora a região.

Em discurso feito durante a visita, Lula reforçou que quer provar aos Estados Unidos que o Brasil segue políticas consistentes de redução do desmatamento e o aumento da preservação ambiental no país.

A divulgação dos dados ocorre pouco tempo após o governo Donald Trump questionar práticas comerciais do Brasil com base na alegação de que o desmatamento ilegal continua beneficiando cadeias produtivas como pecuária, soja, milho e madeira.

As acusações constam em um relatório elaborado pelo Escritório do Comércio dos EUA, que foi utilizado como base para sugerir novas sanções ao Brasil.

O governo americano sustenta que produtos agrícolas e florestais oriundos de áreas desmatadas ilegalmente entram no mercado internacional com custos menores, criando concorrência considerada desleal para produtores americanos.

Com base nesse conjunto de argumentos, a USTR propõe a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre bens brasileiros, medida que ainda será submetida a consulta pública antes da decisão final.

“Não adianta [Donald Trump] falar que tem aviões. Eu não quero guerra. A minha guerra é provar que estamos certos e vocês [EUA] errados. É provar que você não foi eleito para ser o imperador do mundo, que você pode dizer tudo que você quer e as pessoas ficam quietas”, disse Lula sem citar diretamente o presidente norte-americano.

Os dados apresentados foram coletados pelo sistema Deter, que aponta redução do desmatamento na Amazônia em maio e na série histórica.

De acordo com o relatório, o desmatamento na região da Amazônia Legal caiu 69,7% entre 2022 e 2025. No evento, o governo mostrou também a queda de 61% no mês de maio, em relação ao mesmo período do ano passado.

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“Nós vamos ter que pegar esses dados, mandar para o cidadão do comércio dos EUA, que coloca a questão do desmatamento como justificativa para punir o Brasil com taxação maior, e vamos comparar o que acontece aqui com o que ocorre nos EUA”, reforçou o presidente.