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O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) utilizou a Marcha para Jesus, realizada nesta quinta-feira (4) em São Paulo, para associar a disputa política de 2026 a uma narrativa religiosa.
Diante de milhares de participantes, o parlamentar afirmou que o Brasil vive uma “guerra espiritual” e declarou que “o mal vai ser expulso do governo” ainda neste ano.
“Vamos orar pelo nosso Brasil. Essa guerra é espiritual. Maior resposta que podemos dar ao mal que vai ser expulso do governo do Brasil esse ano”, afirmou o senador ao subir no trio elétrico principal do evento.
Antes do discurso, Flávio procurou minimizar o caráter eleitoral da participação. “Não estou aqui como candidato, estou aqui como cristão”, declarou.
Flávio dividiu espaço com nomes de diferentes esferas de poder que mantêm interlocução com o eleitorado evangélico.
No trio principal estavam o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o prefeito Ricardo Nunes (MDB), o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, o advogado-geral da União Jorge Messias e os deputados André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), ambos apontados como pré-candidatos ao Senado por São Paulo.
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Durante sua participação, Tarcísio também adotou tom religioso ao falar aos presentes.
“A gente não pode se conformar em seguir padrões, a gente precisa transformar nossa vida e pensamento. Quem veio aqui buscar uma graça? São Paulo é do senhor Jesus. Coisas sobrenaturais acontecerão”, afirmou o governador.
Reaproximação com evangélicos
A participação de Flávio ocorre em um momento em que aliados avaliam a necessidade de fortalecer a conexão com o eleitorado evangélico, segmento considerado estratégico para a direita nas eleições presidenciais.
Nos últimos meses, pesquisas internas e levantamentos de opinião identificaram desgaste da imagem do senador em parte desse público após a divulgação de mensagens e áudios envolvendo sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
As revelações mostraram pedidos de recursos para financiar o filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo as mensagens divulgadas, o montante discutido chegaria a R$ 134 milhões, dos quais R$ 61 milhões teriam sido pagos em seis operações.
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O episódio gerou repercussão negativa em setores do eleitorado conservador e passou a ser explorado por adversários políticos.
Segurança, religião e mobilização
A Marcha para Jesus se transformou nos últimos anos em um dos principais espaços de demonstração de força política junto ao público evangélico.
Organizado pela Igreja Renascer em Cristo, o evento reúne lideranças religiosas, artistas gospel e autoridades públicas. Os organizadores estimam participação de cerca de 2 milhões de pessoas nesta edição.
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Para campanhas eleitorais, a mobilização oferece uma oportunidade rara de contato direto com uma base que tem demonstrado crescente influência nas disputas nacionais.
A presença de Flávio ocorre poucos dias após sua ausência na edição realizada no Rio de Janeiro, em 23 de maio, fato que havia gerado questionamentos de lideranças religiosas próximas ao bolsonarismo.
