Em guerra contra o Hamas, Israel ataca Gaza e eleva tensões no Oriente Médio

Conflito deixa mais 300 mortos e faz cotação do petróleo disparar; ministro da Defesa afirma que país está em guerra total

SÃO PAULO – No terceiro dia consecutivo de ataques de Israel à Faixa de Gaza, o número de palestinos mortos aproxima-se de 300 e as reações internacionais contrárias intensificam-se. Autoridades israelenses, entretanto, dão sinais de que a violência deve continuar.

Até o momento, a ofensiva restringiu-se a ataques aéreos, tendo como objetivo neutralizar instalações e veículos que possibilitem o lançamento de foguetes em direção ao território de Israel por seguidores do grupo Hamas, de acordo com o governo do país responsável pelas ações.

Todavia, a movimentação de recursos militares e declarações recentes do ministro da Defesa do país, Ehud Barak, ao parlamento do país (Knesset) indicam intensificação do conflito. “Não temos nada contra o povo de Gaza (.), mas isto é uma guerra-total contra o Hamas e suas fileiras”, afirmou. Ademais, foram convocados cera de 6,5 mil reservistas.

Disputa

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O governo do país decretou ainda que as áreas ao redor de Gaza passam a ser zona militar fechada. O número estimado de feridos pelos ataques passa de 700, ao passo em que ao menos 50 das pessoas mortas tinham origem civil, de acordo com as Nações Unidas. Segundo agências internacionais, mais de 100 foguetes do Hamas atingiram o sul de Israel, que por sua vez atingiu cerca de 230 alvos na Faixa de Gaza.

Ainda assim, a chanceler do país – Tzipi Livni – afirmara que não havia intenção de demover o grupo islâmico do poder. Livni lidera o partido centrista Kadima e enfrentará o líder radical Benyamin Netanyahu, do Likud, para a formação do governo com base nas eleições antecipadas para o parlamento, em 10 de fevereiro.

Gaza

A Faixa de Gaza constitui pequena porção territorial entre o Mar Mediterrâneo, Israel e o Egito, vinculada a uma possível futura criação de um Estado palestino, junto à Cisjordânia. Possui elevada densidade populacional e péssimos indicadores sociais, com mais de 60% da população vivendo abaixo do limite da pobreza.

Até 2006 era ocupado militarmente por Israel. Atualmente encontra-se sob o domínio político do grupo Hamas, de tendências mais radicais em relação ao rival Fatah, do líder Mahmud Abbas, que controla a Autoridade Palestina e predomina na região da Cisjordânia.

Petróleo

Temendo efeitos decorrentes da escalada da violência na região, responsável pela maior parte do petróleo consumido no mundo, os preços internacionais da commodity registram forte elevação nesta segunda-feira (29). Em Nova York, o preço do barril de petróleo sobe 6,7%.

Os conflitos na Palestina estremecem relações por todo o Oriente Médio, pondo em risco as negociações para um processo de paz entre Israel e seu vizinho ao norte, a Síria. Manifestações populares e de líderes políticos de importantes produtores de petróleo, como o Irã, também causam apreensão.