Em giro pelo Rio, Lula reforça aliança e diz que Eduardo Paes é “prefeito especial”

O PT de Lula disputa, nos bastidores, a possibilidade de indicar o candidato a vice na chapa encabeçada por Paes nas eleições de outubro no Rio

Fábio Matos

Lula, entre Janja e Eduardo Paes, em evento no Rio de Janeiro (Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República)

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Em meio à indefinição sobre a composição da chapa à reeleição do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reiterou sua proximidade com o aliado, a quem fez uma série de elogios nesta quarta-feira (7), durante a inauguração do o Ginásio Educacional Olímpico (GEO) Isabel Salgado, na Barra da Tijuca.

Ao lado de Paes, Lula reforçou a aliança com o atual prefeito e o comparou ao antecessor, Marcelo Crivella (Republicanos), que deixou o cargo com elevado índice de rejeição. O então prefeito foi derrotado pelo próprio Paes, então no Democratas (DEM), no segundo turno do pleito de 2020.

“Eu converso com muitos prefeitos. Aqui no Rio de Janeiro, conversei com muita gente. Queria dizer que vocês têm um prefeito especial”, afirmou Lula. “Ninguém é obrigado a gostar dele. O que a gente gostaria é que vocês respeitassem a diferença entre o prefeito que vocês tiveram há pouco tempo e o trabalho do Eduardo”, disse o presidente sem citar Crivella nominalmente.

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O PT de Lula disputa, nos bastidores, a possibilidade de indicar o candidato a vice na chapa encabeçada por Paes nas eleições de outubro. A legenda enfrenta, no entanto, forte resistência dos outros partidos que compõem a base de apoio ao governo na Câmara Municipal.

Em seu discurso, Paes brincou com Lula e disse que pediu ao presidente mais investimentos do governo federal na cidade. “Gente, atrasou [o evento] por minha culpa. Eu estava pedindo R$ 1 bilhão para o Lula lá dentro. Tranquei ele em uma sala, apresentei um monte de projeto de PAC [Programa de Aceleração do Crescimento], trabalhei a Janja [Rosângela Lula da Silva, primeira-dama] antes, para ela bater palma junto com a Cris [esposa do prefeito] na hora em que eu falasse uma coisa bonita. E o Lula vai deixar um monte de bilhão aqui hoje para o Rio de Janeiro”.

“Se quiser assumir o compromisso aqui no microfone, vai valer mais que assinatura”, brincou o prefeito, e foi aplaudido pelo público. No palco estavam os ministros Camilo Santana (Educação), Anielle Franco (Igualdade Racial), André Fufuca (Esportes) e Márcio Macedo (Secretaria-Geral). Também participaram do evento o presidente da Câmara Municipal, Carlo Caiado (PSD), e os deputados federais Lindbergh Farias (PT-RJ), Benedita da Silva (PT-RJ) e Laura Carneiro (PSD-RJ).

Lula confunde Paes com Cabral

Durante o evento no Rio, Lula cometeu uma gafe ao quase chamar Eduardo Paes de Sérgio Cabral, ex-governador do estado que foi preso e condenado por corrupção no âmbito da operação Lava Jato. “Os projetos que o Sérgio…. que o Eduardo apresentou são pertinentes. Eu não sei se vou atender a todos, mas podem ficar certos de que uma boa parcela deles a gente vai atender”, afirmou Lula, arrancando risos da plateia e do próprio Paes.

Sérgio Cabral foi governador do Rio entre 2007 e 2014, período no qual manteve uma relação pessoal e política próxima a Lula e Paes. Cabral foi preso em 2016 e permaneceu seis anos detido. Hoje, responde em liberdade a mais de 30 ações penais e e acumula 375 anos de prisão de pena em sentenças já proferidas.

Giro pelo Rio de Janeiro

Lula dedicou os últimos dias a compromissos em municípios do estado do Rio. Na véspera, o presidente da República esteve em Belford Roxo e Magé. O petista participou da entrega de conjuntos residenciais construídos com recursos do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), ao lado do atual governador do estado, Cláudio Castro (PL), aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

“Eu quero dizer ao governador do estado: eu duvido que, na história do país, um presidente da República tenha investido mais no Rio do que eu investi entre 2003 e 2010”, disse Lula. “Agora eu voltei e nós vamos investir mais do que qualquer outro presidente já investiu. A gente vai voltar a investir no Rio de Janeiro porque esse estado não nasceu para ser dominado pelo crime organizado, porque a maioria dos cariocas é gente de bem.”

Nas duas cidades, o ex-presidente derrotou Lula por ampla margem nas eleições de 2022. Em Belford Roxo, Bolsonaro recebeu 60,2% dos votos no segundo turno, ante 39,8% de Lula. Em Magé, a vantagem bolsonarista foi de 60% a 40%.

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Fábio Matos

Jornalista formado pela Cásper Líbero, é pós-graduado em marketing político e propaganda eleitoral pela USP. Trabalhou no site da ESPN, pelo qual foi à China para cobrir a Olimpíada de Pequim, em 2008. Além do InfoMoney, teve passagens por Metrópoles, O Antagonista, iG e Terra, cobrindo política e economia. Como assessor de imprensa, atuou na Câmara dos Deputados e no Ministério da Cultura. É autor dos livros “Dias: a Vida do Maior Jogador do São Paulo nos Anos 1960” e “20 Jogos Eternos do São Paulo”.