CPI do BNDES

Eike se diz “fenômeno”, fala sobre contrato com Dirceu e nega negócios com amigo de Lula

“Não estou falido. Espero resolver isso nos próximos dez dias e voltarei ao mercado”, respondeu o empresário na CPI do BNDES

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SÃO PAULO – O ex-bilionário Eike Batista deu depoimento à CPI do BNDES realizada hoje na Câmara dos Deputados, que rendeu diversos momentos marcantes. O empresário afirmou que, infelizmente, apostou demais em uma área de altíssimo risco, negou pagamento de propina e ressaltou que o BNDES não teve prejuízo com as suas empresas. “Não sei por que repetem isso. O BNDES teve prejuízo zero”, disse.

Ele também mostrou confiança sobre a sua volta: ao ser perguntado pelo deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA), um dos autores dos requerimentos para sua convocação, se está falido, Eike respondeu: “Não estou falido. Espero resolver isso nos próximos dez dias e voltarei ao mercado”, respondeu o empresário.

Jordy questionou o empresário a respeito de denúncias de que a empresa OGX teria usado recursos do Fundo da Marinha Mercante, financiamento feito com a destinação exclusiva para a construção de navios-plataforma, para outros fins. “Isso nunca existiu”, respondeu o empresário. 

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“Mas o senhor continuou a atrair investidores, mesmo depois de constatar que não havia petróleo suficiente nos seus campos, o que deu prejuízos”, rebateu o deputado. “Eu tinha um fundo soberano com meu sócio da holding (OGX). O fundo tinha como garantia as ações da companhia. Todo o dinheiro obtido com a venda das ações foram direcionados para pagamento dos credores”, explicou Batista.

“O senhor é um fenômeno”, ironizou o deputado, que disse não estar satisfeito com as explicações fornecidas pelo empresário a respeito das acusações de que deu prejuízos a investidores e manipulou o mercado ao ocultar a baixa produtividade dos poços de petróleo obtidos pela OGX. “Eu sei”, respondeu Batista, que provocou risos na audiência pública. “O senhor, de bobo, não tem nada”, ressaltou Jordy.

Eike disse aos deputados que deve voltar a operar no mercado em poucas semanas, depois de negociar com os últimos credores, e acusou a imprensa de divulgar mentiras sobre as empresas dele e os negócios feitos por seu grupo com o BNDES. Ele afirmou que a mídia distorce os fatos e mente. “Disseram que eu estou devendo R$ 6 bilhões ao BNDES e eu não estou devendo um centavo”, garantiu. Batista disse que talvez tenha errado ao não pagar anúncios nos meios de comunicação. “Nunca paguei dinheiro para a mídia, como propaganda, talvez um erro grave do grupo”, disse.

Confira os principais pontos do depoimento de Eike para a CPI do BNDES:

Não houve contrato para construção de navios-plataforma, afirma empresário
Citado pelo lobista Fernando Soares, mais conhecido como Fernando Baiano, como um dos empresários que poderia ser ajudado pelo pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula, em contratos de navios-sonda para o grupo OSX, Eike admitiu que tentou recorrer a Lula quando as empresas do grupo EBX estavam em dificuldades. “É impossível um governo, qualquer governo, querer apoiar um grupo considerado enorme e gigante do jeito que era com qualquer tipo de ajuda. Não funciona. Fui o primeiro que me rendi e disse ‘vamos reestruturar com os bancos não querendo ajuda pública”, disse. 

Porém, o empresário negou que tenha havido negociações a respeito de pagamento de propina em troca da contratação de uma das empresas do grupo dele, a OSX, para a construção de navios-plataforma para a Petrobras – equipamentos contratados pela estatal à empresa Sete Brasil. A acusação consta de depoimentos de um dos delatores da Operação Lava Jato, Fernando Baiano, e envolveria o ex-presidente Lula e o empresário Bumlai. 

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Batista, ao responder pergunta do deputado Miguel Haddad (PSDB-SP), negou ter feito qualquer negócio por intermédio de Soares. Ele negou ainda ter usado a influência do ex-presidente Lula e afirmou ainda nunca ter feito qualquer pagamento a Bumlai. “Nunca tive nada com o senhor Bumlai. Nunca paguei nada a ele. O encontrei duas vezes. Meu relacionamento com o BNDES não tem relação com políticos”, disse.

Eike Batista admitiu conhecer Soares, que o procurou como representante de uma empresa espanhola, a Dragados, interessada na construção de navios. “Eu tinha 40 bilhões de dólares para investir. Todo mundo me procurava”, explicou.

Soares, preso pela Operação Lava Jato e acusado de ser operador de propina para empresas contratadas pela Petrobras e agentes políticos, disse em um dos seus depoimentos que pagou R$ 2 milhões a uma nora do ex-presidente Lula a pedido de José Carlos Bumlai.

Na delação, Baiano disse que representava a OSX junto à Sete Brasil e que a propina dizia respeito a este negócio. “Não houve contrato algum da OSX para a construção de navios-plataforma e não faz parte da cultura do grupo pagar esse tipo de comissão”, disse Batista.

Eike contratou consultoria de Dirceu para intermediar negócio na Bolívia
Eike disse que contratou os serviços de consultoria do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, em 2008, para intermediar a construção de uma siderúrgica na Bolívia. Ele admitiu que contratou Dirceu para negociar com o governo de Evo Morales a instalação da siderúrgica. “Como acontece depois de todos os movimentos revolucionários, tudo o que é estrangeiro ou investimento anterior é considerado coisas de multinacionais. Então eu queria que eles fossem menos radicais”, explicou.

O empresário disse, porém, não se lembrar do valor do contrato com José Dirceu e ficou de repassar a informação à CPI. Ele garantiu, ainda, que a construção da siderúrgica não foi adiante. 

BNDES não teve prejuízo com investimentos no grupo EBX e muitos ganharam
Ele reforçou que o BNDES não teve qualquer prejuízo com os financiamentos ao grupo EBX e explicou que suas empresas perderam 90% do valor de mercado por causa do investimento frustrado na exploração de petróleo. Ele chegou a pedir desculpas aos que tiveram prejuízos ao investir no projeto, mas fez questão de dizer que muitos deles venderam suas ações “na alta” e obtiveram grandes lucros.

O empresário explicou que suas companhias perderam valor de mercado e 90% de seus ativos em função de uma “corrida bancária” decorrente da baixa produção de campos de petróleo que uma das empresas do grupo, a OGX, obteve na Bacia de Campos. “Eu arrisquei demais em um negócio altamente arriscado, que é a produção de petróleo. Os campos renderam um terço do esperado, depois que a empresa captou 11 bilhões de reais no exterior”, declarou.

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Segundo Eike Batista, as empresas dele não obtiveram condições diferenciadas nos empréstimos junto ao banco. “Os empréstimos foram importantes e foram pagos com juros, como todo mundo paga, tudo lastreado em garantias, até mesmo meus bens pessoais”, garantiu o empresário.

Ele disse que o grupo obteve financiamento de R$ 10 bilhões do BNDES, investidos nas empresas MPX, LLX e EMX, sem contar financiamento da empresa de participações acionárias do BNDES (BNDESpar) à MPX.

Eike ainda afirmou que os recursos que obteve do banco público, um total de R$ 10 bilhões, foram apenas uma parcela do investimento total de R$ 150 bilhões que investiu, com recursos próprios ou por meio de outras fontes de financiamento, em diversos projetos no país.

Segundo ele, estavam sob sua administração 40 bilhões de dólares provenientes de várias fontes de financiamento. “Qualquer empresário vai atrás de várias fontes para baratear seus custos”, declarou. O empresário deu como exemplo o porto do Açu, em São João da Barra, no Norte Fluminense, projeto de seu grupo. De acordo com o empresário, o BNDES investiu R$ 3 bilhões de um total de R$ 70 bilhões. “Dez mil pessoas estão trabalhando lá e isso não é visto pela mídia”, criticou.

(Com Agência Câmara)

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