Líder do PP

Eduardo da Fonte: “Política tem que dar demonstração de união e força ao governo”

Em entrevista exclusiva ao InfoMoney, líder do PP na Câmara mostra otimismo com os efeitos da reforma ministerial de Dilma, mas não esconde o descontentamento com a participação do partido no Executivo

SÃO PAULO – Está marcado para as 10h30 desta sexta-feira (2) o anúncio do novo ministério da presidente Dilma Rousseff, com mais espaço para o PMDB e a turma de seu antecessor Lula, e menos poder para o PT como um todo. A ideia é dar mais equilíbrio e representatividade às bancadas na ocupação do Executivo para reconquistar uma base maior de apoio no Congresso. Em uma tentativa de perceber o clima da reforma entre as lideranças governistas no Legislativo e avaliar se as expectativas, de fato, serão correspondidas, o InfoMoney conversou também com o deputado Eduardo da Fonte (PE), líder do PP na Câmara. Confira os destaques:

InfoMoney – A ideia da reforma é recompor a base no Congresso. É possível pensar em reconquista de espaços perdidos na Câmara pelo governo?
Eduardo da Fonte – Sim. Eu vejo com otimismo essa reforma. Acho que ela já deveria ter acontecido e enxergo que o governo está buscando uma forma de dialogar mais eficiente. Também pesa a favor do governo o sentimento de irresponsabilidade do Congresso com a economia do país e com o restabelecimento do crescimento.

IM – Por parte do PP, qual é a resposta que o senhor espera para tal sinalização? – embora não se discutam alterações no Ministério para o partido,  a despeito de evidências de dissidência em algumas votações.
EF – Nós temos uma bancada de 40 deputados de todos os estados do país. Algumas votações têm peculiaridades que levam os parlamentares a corresponderem com suas bases eleitorais, mas o partido nunca deixou de dar em torno de 25 a 30 votos ao governo. O sentimento da bancada é de responsabilidade com o país. Entendo que há uma conscientização de toda nossa bancada com relação ao momento de dificuldade que o país enfrenta, e que há a necessidade também de um esforço de cada um para que dê sua contribuição e voltemos a fazer com que o país cresça.

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IM – Existe um cálculo usado pelos acadêmicos para quantificar a relação entre bancadas no Congresso e ministérios ocupados que leva em consideração o orçamento discricionário a que cada um tem acesso. Neste quesito, o PP aparece atrás de diversos partidos menores que ele. Como o senhor enxerga esse diagnóstico?
EF – Nossa prioridade hoje é dar nossa contribuição para que o país possa atravessar esse momento de crise. Não vamos colocar essa questão em discussão agora. Esse é um fato verdadeiro, mas quem tem que levar isso em consideração é o governo. Não promoveremos a discussão nesse momento.

IM – Mas essa desproporcionalidade incomoda o partido? Futuramente, se a situação atingir um quadro de maior estabilidade, o PP vai buscar mais espaços no governo?
EF – Neste momento, o partido entende que é importante colocar essas discussões de lado, para que possamos dar nossa contribuição para o país sair desse momento difícil que está atravessando. Em outro momento, talvez sim, mas não agora.

IM – Qual é sua percepção sobre a possível entrada de Jacques Wagner na Casa Civil e Ricardo Berzoini na articulação política? Isso facilitaria o diálogo com a base? Os senhores têm um relacionamento melhor com essas figuras?
EF – É uma tarefa difícil e que requer muito jogo de cintura. Jacques Wagner mostra ter bastante habilidade, grande relacionamento com os parlamentares. Ele já fez esse trabalho lá atrás, no governo Lula. Acho que ele vai oxigenar esse trabalho. Mercadante fez um bom trabalho, mas esse cargo tem prazo de validade. A missão por si só envelhece a pessoa que está lá. Então, é importante que haja uma oxigenação e entendemos que Jacques Wagner tem tudo para fazer um grande trabalho se, de fato, for confirmado.

IM – A presidente conversou pessoalmente com muitos líderes – interlocução que não está habituada a fazer. Como foi essa relação com o PP?
EF – Pelas informações que temos, não vamos sofrer nenhuma alteração. Portanto, ela não me chamou até o momento para tratar disso. Falei com a presidente na semana passada, mas sobre uma pauta diferente. Não foi a reforma ministerial.

IM – Nessa semana, vocês não chegaram a conversar?
EF – Não.

IM – O senhor sentiu falta de algum diálogo mais próximo?
EF – Não. Acho que tem que dar prioridade ao diálogo com quem vai haver alteração. Com o restante, não há necessidade de dialogar neste momento a respeito deste tema. E a presidente tem se mostrado bastante efetiva para conversar com o Congresso, com os líderes. Ela tem se colocado à disposição, tem telefonado quando necessário.

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IM – O senhor disse que a reforma deveria ter sido feita antes. Por quê? Dez meses passados da posse da presidente para um novo mandato, já acontece uma reforma ministerial. Quais foram os erros cometidos?
EF – A gente tem que dar agilidade. Essa troca de cadeiras entre os ministros é importante para que possamos dar mais dinâmica às pastas. Ela está fazendo de uma forma acertada. Não há nada oficial, mas acho que está no caminho certo. É um momento de entendimento. Todos nós temos a obrigação de acertar. Não cabem mais erros na condução política. A política tem que dar uma demonstração de união e força ao governo. Isso é fundamental para que o Brasil possa acertar.

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