Durigan diz que plano de Flávio vende “ilusão” ao mercado e não olha para empregos

Ministro afirmou que um novo governo de Lula ​se comprometeria a alcançar superávits primários ​crescentes

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BRASÍLIA, 8 ⁠Out (Reuters) – O ⁠plano do senador Flávio ‌Bolsonaro (PL-RJ) para a Presidência da República ‌atende a uma demanda do mercado por redução da dívida pública, mas não ⁠leva ‌em conta ⁠impactos sobre a atividade econômica e empregos, disse nesta quinta-feira o ministro da ​Fazenda, Dario Durigan.

Em entrevista à CNN ​Brasil, Durigan, que coordena o plano econômico para reeleição do presidente ‌Luiz Inácio Lula ​da Silva (PT), afirmou que agentes de mercado têm ⁠comprado ​uma “ilusão ​vazia” sobre uma eventual gestão ⁠de Flávio.

Ele ​afirmou que um novo governo de Lula ​se comprometeria a alcançar superávits primários ​crescentes, ⁠podendo eventualmente aumentar a velocidade ⁠das ações de ajuste das contas públicas.

Cavalo de pau

Na avaliação do ministro, Flávio daria um “cavalo de pau” na gestão da economia ao retirar R$200 bilhões do Orçamento com medidas de ajuste fiscal, ressaltando que o candidato do PL não explicou como isso será feito. Para ele, uma ação desse tipo inviabilizaria a execução de políticas públicas.

Reportagem da Folha de S.Paulo mostrou que equipe de Flávio estuda alterar as correções dos benefícios da Previdência Social e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e dos gastos obrigatórios com saúde e educação em busca de R$250 bilhões de economia nas contas públicas. Após a publicação, o senador e assessores vieram a público para negar as medidas, embora já tenham se comprometido a um duro ajuste fiscal.

Durigan disse na entrevista que a presidência de Jair Bolsonaro, pai de Flávio, não fez nenhuma correção de rumo fiscal e defendeu que o governo Lula organizou as contas do país.

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O ministro voltou a argumentar que a elevação da dívida pública não foi causada pelos resultados fiscais, estabilizados pelo governo Lula, mas pelo elevado nível dos juros.

Na entrevista, Durigan ainda afirmou que a campanha de Flávio propõe mudanças na reforma tributária, o que seria um retrocesso em um sistema que deve elevar a eficiência e a produtividade do país.

Flávio disse mais cedo nesta quinta que o mecanismo de “split payment” introduzido pela reforma tributária sobre o consumo deverá produzir uma “quebradeira generalizada” de empresas, argumentando que, por isso, sua equipe estuda propor a retirada desse sistema.

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Com o “split payment”, tributos sobre o consumo serão automaticamente transferidos ao governo no momento da transação, em vez de serem recolhidos posteriormente pelas empresas, o que, para Flávio, prejudica o fluxo de caixa das companhias.