CPI da Petrobras

Doleira diz que viveu com Youssef, canta em CPI e afirma não ter levado euros em calcinha

Nelma Kodama disse à CPI que tem consciência dos crimes que cometeu, mas reclamou da pena de 18 anos de prisão

A doleira Nelma Kodama provocou risos na audiência pública da CPI da Petrobras em Curitiba (PR) ao admitir, ao ser questionada pelo deputado Altineu Côrtes (PR-RJ), que “viveu maritalmente” com o também doleiro Alberto Youssef de 2007 a 2009.

“A senhora foi amante de Youssef?”, perguntou o deputado. “Depende do que o senhor chama de amante. Eu vivi maritalmente com ele. Amante é uma palavra que engloba tudo, né? Ser amiga, companheira. Uma coisa bonita”, respondeu a doleira. Em seguida, cantarolou a música “Amada amante”, de Roberto Carlos, e foi advertida pelo presidente da CPI, deputado Hugo Motta (PMDB-PB).

Kodama já tinha provocado risos na audiência ao dizer que não foi presa no ano passado com 200 mil euros na calcinha, como foi divulgado. “O dinheiro estava aqui”, disse, e em seguida se levantou, virou de costas para a audiência e colocou as duas mãos nos bolsos traseiros da calça jeans que usa.

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Delação premiada
A doleira se recusou a responder todas as perguntas da CPI, alegando estar negociando uma delação premiada. Não quis falar, por exemplo, das acusações a Youssef, como a de que o doleiro teria organizado um assalto – declaração feita por ela e captada em um grampo telefônico da Operação Lava Jato.

Nelma Kodama disse à CPI que tem consciência dos crimes que cometeu, mas reclamou da pena de 18 anos, por evasão de divisas e lavagem de dinheiro, imposta a ela no ano passado pelo juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba.

“Eu não me sinto injustiçada, mas não concordo com a dosimetria da pena”, disse aos deputados da comissão. É um dos motivos, segundo ela, que motivou seu interesse em fazer uma delação premiada, acordo que está sendo negociado com a Justiça.

Kodama foi condenada no ano passado a 18 anos de prisão, em regime inicialmente fechado, pela prática de 91 crimes de evasão de divisas. Segundo a Justiça, a movimentação ilegal operada por Nelma chegou a US$ 5.271.649,42 entre maio e novembro de 2013. Junto com ela foram condenados Iara Galdino (11 anos e 9 meses) e Luccas Pace Júnior (4 anos, já que foi beneficiado por acordo de delação premiada).

Kodama defendeu a atividade de doleiro e, apesar de admitir ter cometido crimes, disse que se limitava a comprar e vender dólares. Segundo ela, o doleiro atua para efetuar pagamentos no exterior, principalmente no setor de importação, em função dos impostos cobrados pelo governo nas operações legais. Para fazer isso, porém, era preciso montar uma estrutura que envolvia empresas de fachada.

“Para se fazer uma importação da forma que eu fazia, que era fraudulenta, fictícia, eu sozinha não conseguia. O meu trabalho era de compra e venda de moeda estrangeira. E eu tinha credibilidade. Eu não usava dinheiro meu para fazer isso. O cliente entregava o dinheiro para mim sem me conhecer. Quem fazia o trabalho de estruturação era o Luccas Pace, que tinha conhecimentos do Banco Central e abria as empresas de fachada”, disse.