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Um dos dirigentes do PRTB da cidade de São Paulo (SP), Maiquel Santos de Assis, que apareceu no palanque do candidato da legenda à prefeitura da capital, Pablo Marçal, durante a convenção que oficializou a candidatura do empresário, já foi preso e condenado por extorsão mediante sequestro.
De acordo com reportagem publicada pelo jornal Folha de S.Paulo, Maiquel, que é vice-presidente do diretório municipal do PRTB em São Paulo, esteve preso entre 2009 e 2013 – quando recebeu liberdade condicional. Ele passou pelos centros de detenção provisória de Belém e Pinheiros e pela penitenciária Dr. Danilo Pinheiro, em Sorocaba (SP), no interior paulista.
Em 2011, a 4ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo confirmou a sentença de primeiro grau que condenou Maiquel a 8 anos de reclusão pelo crime de extorsão mediante sequestro. O órgão também aceitou, parcialmente, o pedido do Ministério Público para que o condenado cumprisse a pena inicialmente em regime fechado.
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Segundo a peça inicial acusatória, em maio de 2009, Maiquel teria participado de um sequestro, em São Miguel Paulista (zona leste de São Paulo), ao lado de outras duas pessoas. O objetivo do grupo era exigir o pagamento de R$ 50 mil da família da vítima para que ela fosse libertada.
As negociações foram assumidas por um amigo da família da vítima, que reduziu o valor do pagamento para R$ 25 mil. O local marcado para a entrega do dinheiro foi uma churrascaria no Shopping Center Norte.
Esse amigo da família, no entanto, informou a Polícia Militar sobre o sequestro e foi acompanhado até o local por uma viatura da Rota. Surpreendidos pelos policiais, os criminosos ficaram sem o dinheiro e um deles foi preso, revelando as identidades dos demais.
De acordo com Maiquel, em sua defesa, naquele dia ele teria sido chamado por um dos acusados para analisar a autenticidade de alguns documentos. O atual dirigente do PRTB diz que foi levado para uma residência, onde uma terceira pessoa desconhecida entrou no automóvel. Ele afirma que não sabia do sequestro.
O desembargador Salles Abreu, por sua vez, afirmou que as alegações dos acusados eram “pueris e eivadas de contradições” e não encontravam “qualquer ressonância no farto conjunto probatório colhido”.
“Melhor sorte não assiste à defesa do acusado Maiquel Santos de Assis no tocante à pretensão de reconhecimento de sua participação de menor importância”, anotou o desembargador.
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“Isso porque restou evidenciado nos autos que o acusado Maiquel contribuiu ativamente para o desenvolvimento da ação criminosa, não sendo crível que o mesmo tenha permanecido por diversas horas no interior do veículo em que a vítima era mantida, unicamente para aferir a regularidade de documentos fiscais”, diz Salles Abreu.
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“Maiquel PRTB”
Nas redes sociais, o vice-presidente do diretório paulistano do PRTB se identifica como “Maiquel PRTB”, tem fotos com Pablo Marçal e é seguido pela candidata a vice na chapa do partido, a policial Antônia de Jesus.
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Maiquel chegou a ter seu nome anunciado no microfone, no início da convenção do PRTB que sacramentou a candidatura de Marçal a prefeito. Ele se sentou ao lado de Levy Fidelix Filho, filho do fundador da sigla, Levy Fidelix (1951-2021), e presidente do diretório municipal.
Até o momento, a campanha de Marçal não se manifestou sobre a reportagem da Folha.
Suspeitas
Essa não é a primeira ligação entre um dirigente do PRTB e denúncias de crimes ou irregularidades.
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Segundo reportagem também publicada pela Folha de S.Paulo, o presidente nacional do PRTB, Leonardo Avalanche, teria sido flagrado em conversas com um suposto membro da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
No áudio publicado pelo jornal, o dirigente diz que teria participado da soltura do traficante André do Rap, um dos líderes do PCC, que deixou a prisão em 2020 por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em sabatina promovida pelo G1, na semana passada, Marçal minimizou o episódio e disse que cobrou explicações de Avalanche. “Quando eu vi pelo noticiário, eu encaminhei a ele [Leonardo] e perguntei o que era isso. Ele me disse que isso era uma montagem”, disse o candidato.
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“Se isso é uma conversa fiada, que ele apresente as declarações dele. Ele mesmo tem de se defender. Não estou defendendo ele. Eu não tenho como achar nada. Não sei a veracidade do áudio”, prosseguiu Marçal. “De toda forma, acredito que as pessoas precisam ter direito ao contraditório e à ampla defesa. Eu não faço parte disso.”
Marçal afirmou, ainda, que não conhece “todo mundo do partido” e ingressou “há pouco tempo” na legenda. “Eu queria um partido de gente que não tem problema. O que eu garanto é que eu, Pablo Marçal, não tenho nenhuma vinculação e não vou baixar a cabeça para quem quer que seja bandido”, disse.
“Se o presidente tiver alguma coisa [de envolvimento com o PCC], eu vou pedir o afastamento dele. Mas isso tem de ser comprovado”, concluiu.