Deputados defendem corte de supersalários e taxação de bets para alcançar meta fiscal

Pesquisa Genial/Quaest mostra forte apoio a medidas de ajuste pelo lado da receita e da despesa

Marina Verenicz

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, participa de uma sessão plenária da Câmara dos Deputados em Brasília, Brasil, em 9 de dezembro de 2025. REUTERS/Adriano Machado
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, participa de uma sessão plenária da Câmara dos Deputados em Brasília, Brasil, em 9 de dezembro de 2025. REUTERS/Adriano Machado

Publicidade

A busca pelo cumprimento da meta fiscal do governo federal encontra amplo consenso na Câmara dos Deputados em torno de medidas que envolvem corte de gastos específicos e aumento da arrecadação sobre setores hoje pouco tributados.

É o que aponta a pesquisa Genial/Quaest, que ouviu deputados federais sobre os caminhos considerados mais adequados para o ajuste das contas públicas.

Segundo o levantamento, 90% dos parlamentares afirmam que o atendimento da meta fiscal deveria passar pela redução dos gastos com supersalários no setor público. O mesmo percentual, também de 90%, concorda com o aumento da taxação das empresas de apostas como instrumento para reforçar a arrecadação e contribuir para o equilíbrio fiscal.

O apoio expressivo a essas duas medidas indica que há, no Congresso, espaço político relevante para iniciativas que combinem contenção de despesas consideradas distorcidas e maior tributação de setores em expansão, como o mercado de apostas.

Fintechs e benefícios fiscais no radar

Outras alternativas para alcançar a meta fiscal também aparecem com respaldo majoritário, embora em patamares mais baixos. O aumento da taxação das fintechs é visto como um caminho viável por 65% dos deputados, enquanto a redução dos benefícios fiscais concedidos às empresas conta com o apoio de 58% dos parlamentares.

Em patamar semelhante está a redução dos gastos com a previdência dos militares, medida apoiada por 57% dos entrevistados, o que sugere abertura para discutir temas historicamente sensíveis no debate fiscal.

Continua depois da publicidade

IOF enfrenta forte resistência

Por outro lado, a pesquisa revela resistência significativa a medidas que impactem diretamente o crédito e o consumo. O aumento da taxação do IOF é rejeitado por 72% dos deputados como instrumento para o controle das contas públicas, sinalizando dificuldades para avanços nessa frente no Congresso.

O resultado reforça a percepção de que propostas de ajuste fiscal com efeitos mais difusos sobre a economia tendem a encontrar maior oposição, enquanto medidas direcionadas a grupos específicos ou setores determinados têm maior chance de prosperar no Legislativo.

A pesquisa Genial/Quaest foi realizada entre os dias 29 de outubro e 11 de dezembro, com entrevistas presenciais e online com 167 deputados federais, o equivalente a 33% do total da Câmara. A amostra foi definida a partir de critérios regionais e de posicionamento ideológico dos partidos, com margem de erro estimada em 7 pontos percentuais.