Defesa de Roberta Luchsinger nega repasses a Lulinha em depoimento à PF

Empresária investigada no caso do INSS afirmou que nunca transferiu recursos ao filho de Lula e classificou suspeitas como exploração política

Marina Verenicz

A empresária Roberta Luchsinger foi um dos alvos da nova fase da operação “Sem Desconto” — Foto: Reprodução/Instagram
A empresária Roberta Luchsinger foi um dos alvos da nova fase da operação “Sem Desconto” — Foto: Reprodução/Instagram

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A empresária Roberta Luchsinger afirmou à Polícia Federal que nunca fez pagamentos a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no âmbito das investigações sobre fraudes bilionárias em descontos de aposentados e pensionistas do INSS.

A declaração consta em nota divulgada nesta quarta-feira (20) pela defesa da empresária após depoimento prestado à PF.

Segundo os advogados, Roberta permaneceu cerca de 50 minutos em oitiva por videoconferência e respondeu a questionamentos sobre sua relação com Lulinha e com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado pelos investigadores como operador central do esquema.

A defesa afirma que a empresária reconheceu amizade com Fábio Luís e sua esposa, mas negou qualquer vínculo financeiro. “Nunca repassou qualquer valor a Fábio ou a quem quer que seja”, diz o comunicado divulgado pelos advogados.

Relação entre empresário e filho de Lula

O nome de Roberta entrou na investigação depois que a Polícia Federal identificou transferências feitas por Antônio Camilo Antunes para empresas ligadas à empresária.

Os investigadores apuram se parte desses recursos poderia ter chegado a Lulinha. A suspeita ganhou força após a PF detectar pagamentos de R$ 1,5 milhão feitos pelo “Careca do INSS” à empresária entre novembro de 2024 e março de 2025.

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Segundo a investigação, foram cinco transferências de R$ 300 mil cada.

Em paralelo, a PF identificou pagamentos de aproximadamente R$ 640 mil feitos por Roberta a uma agência de viagens já utilizada por Fábio Luís Lula da Silva. A coincidência temporal entre os repasses levantou suspeitas dentro do inquérito.

Os investigadores também analisam uma mensagem atribuída a Antônio Camilo em que ele menciona a necessidade de efetuar “mais uma parcela” de R$ 300 mil. Ao ser questionado sobre quem receberia o dinheiro, ele teria respondido: “O filho do rapaz”.

Além disso, um ex-funcionário do empresário, Edson Claro, afirmou em depoimento à PF que ouviu de Antônio Camilo que existiria uma “mesada” de R$ 300 mil destinada a Lulinha.

Defesa fala em “campanha difamatória”

Os advogados de Roberta sustentam que a empresária desconhecia qualquer irregularidade envolvendo Antônio Camilo Antunes quando prestava serviços a ele ligados ao mercado de canabidiol.

Segundo a nota, ela atuava em temas de regulação do setor e foi “devidamente remunerada” por isso.

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A defesa afirma ainda que o empresário era conhecido no ramo farmacêutico e que, à época da contratação, não havia suspeitas públicas ou processos relacionados a fraudes previdenciárias.

Os advogados também disseram que Roberta interrompeu qualquer relação profissional com Antônio Camilo após a deflagração da Operação Sem Desconto.

No depoimento, segundo a defesa, a empresária declarou que apresentou o “Careca do INSS” a Lulinha em um contexto social e que temia que essa aproximação fosse explorada politicamente após o avanço das investigações.

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Ela também negou ter viajado com os dois. Conforme o comunicado, Roberta disse não ter participado de uma viagem a Portugal investigada pela PF, embora soubesse que o deslocamento estaria ligado a prospecção de negócios relacionados ao mercado de canabidiol.

“Fábio foi convidado por sua curiosidade relativa ao assunto, oriunda, inclusive, em função da utilização de medicamento à base de canabidiol por familiares”, afirmou a defesa.