Eleições de 2018

De alertas de tempestade de Stuhlberger e Armínio à esperança de Lemann: os cenários para 2018

Em declarações no início desta semana, grandes expoentes do mercado já fizeram digressões do que esperar para o ano que vem

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SÃO PAULO – A Bolsa apagou o efeito Friboigate e registra mais uma sessão de ganhos nesta terça-feira, com o Ibovespa superando os 68 mil pontos. Contudo, o otimismo do mercado contrasta e muito com a cautela de grandes expoentes do mercado, conforme diversas declarações dadas já no início desta semana. E, para eles, é bom ficar bastante atento o que pode reservar o próximo ano. 

Em relatório para comentar o desempenho do mês de julho, a Verde Asset, gestora de Luis Stuhlberger destacou que a vitória de Michel Temer ao derrubar a denúncia contra ele na Câmara trouxe certo alívio para o mercado, mas segue também alerta para uma “tempestade” em 2018.

“Podemos ter alguma calmaria nos próximos meses, mas é a calma que precede a tempestade, visto que a eleição de 2018 tende a ser bastante aberta, complexa e incerta”, diz o documento. A gestora aponta que esta será a primeira eleição pós-real em que a polarização PT x PSDB não será o destaque, com diversos outros candidatos competitivos, algo que o País não experimenta desde 1989. (veja mais clicando aqui). 

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No mesmo sentido, o ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, fez um alerta ao visualizar o cenário para 2018 em entrevista para a Folha de S. Paulo. Segundo ele, a economia brasileira só voltará a crescer com vigor quando houver clareza sobre as forças políticas que vão liderar o próximo governo. “Se a mudança na direção da política econômica for mantida, consolida uma coisa muito boa. Pode acontecer o contrário, uma guinada populista e ir tudo para o brejo”, afirmou.

De acordo com o economista, os mercados parecem calmos, apesar das incertezas na política e nas dificuldades na economia, porque as condições externas são favoráveis, além da percepção  de que as instituições do país estão funcionando e da guinada na balança de pagamentos. Soma-se a isso que, “apesar da confusão, o governo vem conseguindo manter viva alguma margem para a aprovação de reformas”. Desta forma, ele afirma que o mercado embute nas expectativas hoje um 2018 tranquilo. Mas aponta: “tenho receio de esse quase consenso não ser tão firme assim”. 

Segundo o ex-BC, se o próximo governo não vier com algo muito bem fundamentado na gestão da economia, “pode trazer um problema enorme. A dívida pública, mesmo com todas essas reformas aprovadas, o que não é certo que aconteça, vai estar na Lua, indo para 95% do PIB” (confira mais clicando aqui). 

De uma maneira mais “indireta”, o presidente do Santander Brasil Sérgio Rial também destacou, em entrevista para a Bloomberg, o cenário eleitoral de 2018 como importante para a economia brasileira ao destacar os avanços do atual governo. “A inflação mais baixa representa um aumento real da renda das famílias e as reduções da taxa de juros ajudam a estimular a economia”, disse ele, que também elogiou a “responsabilidade fiscal” do governo. Com a aproximação das eleições do ano que vem “é muito importante um processo de continuidade”, disse ele. 

Enquanto economistas se debruçam sobre o incerto cenário para o pleito do ano que vem, em evento realizado na segunda-feira na Fundação Estudar, o empresário Jorge Paulo Lemann diz que o Brasil vai passar por transformações a partir de 2018. E destacou esperar que os bolsistas da Fundação venham a se interessar por política.

“Espero que algum bolsista da Fundação Estudar venha a ser presidente do Brasil e arraste vários outros com ele”, afirmou Jorge Paulo Lemann na apresentação. Caso não seja, ele tem uma certeza: “eles vão participar da grande transformação que o Brasil vai sofrer no ano que vem e nos próximos”, apontando que o País começará a mudar.

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Entre a cautela e a esperança, os grandes nomes do mercado ainda vão tateando o cenário para as eleições do ano que vem. Assim, em meio a um cenário tão nebuloso uma coisa é certa: o pleito de 2018 será especialmente emblemático – e pode definir o rumo do País daqui vários anos.