Dark Horse: PF pede à Ancine informações sobre filme da trajetória de Jair Bolsonaro

Ancine terá dez dias para fornecer dados sobre “Dark Horse”, produção que entrou no radar de investigação no STF após revelações sobre recursos captados por Flávio Bolsonaro

Publicidade

A Polícia Federal ampliou a apuração sobre os bastidores de “Dark Horse”, filme inspirado na trajetória política de Jair Bolsonaro (PL). A corporação deu dez dias para que a Agência Nacional do Cinema (Ancine) entregue informações sobre a produção, seu financiamento e as empresas e pessoas envolvidas no projeto.

O pedido integra uma investigação que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro André Mendonça. Entre as informações solicitadas estão a situação do longa perante a Ancine, o cronograma informado à agência e os procedimentos administrativos relacionados à produção.

A PF também pediu a identificação de produtores, coprodutores, distribuidoras, representantes legais e demais participantes registrados no projeto. Outra frente busca saber se “Dark Horse” recebeu incentivos fiscais, dinheiro público federal ou benefícios de programas destinados ao setor audiovisual.

O longa tem previsão de chegar aos cinemas brasileiros depois das eleições, a partir de novembro.

Dinheiro do Master

O interesse dos investigadores aumentou após a divulgação de mensagens relacionadas à captação de recursos para o projeto. Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, reconheceu ter captado R$ 61 milhões do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Segundo reportagens do Intercept Brasil, os recursos passaram por uma empresa ligada ao senador e chegaram a um fundo administrado pelo advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

A investigação busca esclarecer o destino do dinheiro. Uma das suspeitas apuradas pela PF é se parte dos recursos atribuídos ao financiamento do longa teria sido utilizada para custear despesas de Eduardo Bolsonaro durante sua permanência nos Estados Unidos.

A relação entre o dinheiro e as despesas do ex-deputado ainda está sob investigação.

Ancine já autuou produtora

A produção também enfrenta um procedimento administrativo independente na Ancine. Em 28 de julho, a agência autuou a Go Up Entertainment por filmar “Dark Horse” no Brasil sem fazer previamente a comunicação exigida para produções estrangeiras.

Continua depois da publicidade

Pelas regras do setor, uma obra internacional filmada no país deve estar vinculada a uma empresa registrada na Ancine, que precisa informar a produção e apresentar documentos como contrato, plano de filmagem e dados dos profissionais estrangeiros.

A irregularidade pode resultar em multa de R$ 2 mil a R$ 100 mil.

A Go Up afirmou que pretende colaborar com as investigações, mas ressaltou que exercerá suas garantias legais e se opõe a diligências que considere excessivamente abrangentes.

Continua depois da publicidade

Lançamento de grande porte

A Europa Filmes solicitou em junho o registro da obra estrangeira para distribuir “Dark Horse” no Brasil. O planejamento prevê presença em pelo menos 650 salas, com versões dubladas.

Jim Caviezel, ator de “A Paixão de Cristo”, interpreta Jair Bolsonaro. O enredo se concentra na campanha presidencial de 2018 e dedica espaço ao atentado sofrido pelo então candidato em Juiz de Fora.

Segundo integrantes da campanha de Flávio, o senador aparece pouco na produção, enquanto Michelle Bolsonaro possui participação maior na trama. A avaliação do grupo é que o filme se aproxima mais de um thriller sobre a eleição e o atentado de 2018 do que de uma cinebiografia tradicional.

Continua depois da publicidade

A distribuidora trabalha com uma faixa entre 800 mil espectadores, no cenário mais conservador, e mais de 2 milhões na projeção otimista.

Autor avatar
Marina Verenicz
Política | Brasil | Mundo