Renúncia

Cunha renuncia à presidência da Câmara e chora ao falar de “perseguição” contra ele e família

"É público e notória que a Casa está acéfala, fruto de uma interinidade bizarra. Somente a minha renúncia poderá por fim a essa instabilidade", afirma

SÃO PAULO –  Eduardo Cunha (PMDB-RJ) anunciou hoje à tarde a sua renúncia da presidência da Câmara dos Deputados; ele estava afastado do cargo desde 5 de maio.

No pronunciamento, ele leu a carta de renúncia que enviou ao primeiro-vice-presidente da Casa. “É público e notória que a Casa está acéfala, fruto de uma interinidade bizarra. Somente a minha renúncia poderá por fim a essa instabilidade”, afirma. 

Cunha afirmou que, durante seu mandato, soube conduzir condizentemente a Casa, tocando as pautas necessárias. Ele citou alguns temas e, principalmente, a aprovação da abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Cunha afirmou que a principal causa de seu afastamento foi o pedido de impeachment da petista e afirmou sofrer perseguições por esse motivo. 

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De forma emocionada e chegando a chorar, Cunha reiterou que vai provar sua inocência em todos os inquéritos e disse que nunca recebeu vantagens indevidas. “Ele se disse vítima de perseguição covarde, contra si e sua mulher e filha. Diz ter certeza de sua inocência. E de que fez o país melhor, ajudando o país a “se livrar do governo do PT”.

“Espero que esse meu ato ajude a restaurar o país após o processo de impeachment. Espero sucesso ao presidente Michel Temer e o futuro presidente desta casa”, destacou, reiterando que está “pagando um alto preço por ter dado início ao impeachment”.

“Sofro da seletividade do órgão acusador [PGR], que atua com relação a mim diferentemente de outros investigados com foro”, destacou. 

 Segundo a Folha de S. Paulo, o nome preferido por Cunha é o de Rogério Rosso (PSD-DF); porém, há pelo menos 12 candidatos informais na Casa para disputa do cargo. Cunha acredita que pode tentar reverter votos na CCJ para fazer o caso voltar ao Conselho de Ética e, quem sabe, salvar seu mandato. 

Com a renúncia do peemedebista, o presidente em exercício da Casa, Waldir Maranhão (PP-MA), terá prazo de até cinco sessões para marcar uma eleição para preencher o cargo até fevereiro de 2017, quando acabaria o mandato do peemedebista na presidência.