Corrupção

Cunha intimidou fornecedora da Petrobras para manter propinas, diz doleiro

Presidente da Câmara nega, mas aparece como "autor" de dois arquivos assinados por Solange de Almeida nos quais foram produzidos requerimentos pedindo por informações da empresa

SÃO PAULO – Apesar de negar qualquer envolvimento no escândalo de corrupção da Operação Lava Jato, a delação premiada do doleiro Alberto Youssef reforçou as suspeitas sobre o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB). Segundo informações da Folha de S. Paulo, Youssef afirmou que Cunha intimidou a fornecedora da Petrobras (PETR3;PETR4) Mitsui para que ela não parasse de pagar propinas para ele e outros parlamentares, senão apresentaria requerimentos para investigá-la. 

A intimidação teria vindo de dois requerimentos dos quais o deputado foi o autor em que ele pedia por informações do TCU (Tribunal de Contas da União) e do Ministério de Minas e Energia, sobre os contratos entre a Mitsui e a petroleira. Na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), Cunha negou ter qualquer relação com os requerimentos. 

O periódico, contudo, encontrou evidências que vão contra esta declaração. O pemedebista aparece como “autor” dos dois arquivos em que foram produzidos os requerimentos assinados pela deputada Solange Almeida (PMDB) dentro do sistema oficial da Câmara. Diante deste fato, Cunha se defendeu dizendo que provavelmente um computador do seu gabinete foi usado pela deputada ou algum de seus assessores. 

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“Pode ser um funcionário dela que pode ter ido lá pedir à [minha] assessoria pra fazer, acontecia com vários deputados, até porque ela era suplente”, disse. Porém, Solange já havia assumido o mandato pelo menos quatro meses antes da apresentação dos requerimentos.