CPI da Petrobras

Críticas e troca de ofensas marcam reunião da CPI da Petrobras nesta quinta

Dos quatro convocados, dois não compareceram e os outros dois se recusaram a responder as perguntas, usando o direito constitucional de permanecer calados

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Discussões, críticas e troca de ofensas entre os deputados marcaram a reunião desta quinta-feira (20) da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, convocada para ouvir quatro operadores de câmbio suspeitos de evasão de divisas, lavagem de dinheiro ou operações ilícitas.

Dos quatro convocados, dois não compareceram e os outros dois se recusaram a responder as perguntas, usando o direito constitucional de permanecer calados.

Raul Srour, da corretora Districash, e Fernando Heller, da corretora TOV, foram orientados por seus advogados a ficarem em silêncio. Eles são investigados por operações ilícitas de câmbio pela Polícia Federal.

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Srour, acusado de ligação com o doleiro Alberto Youssef, chegou a dizer que não tem envolvimento com irregularidades na Petrobras.

Os outros dois convocados, Paulo Pires de Almeida e Marco Ernst Matalon, não compareceram. O advogado de Matalon alegou que ele está doente, e o de Almeida alegou que ele está em local distante, de difícil acesso. Os depoimentos serão remarcados.

Os dois não têm relação direta com a Operação Lava Jato: Almeida é ligado a Raul Srour e teve o nome mencionado na investigação de propina da empresa Siemens para agentes públicos de São Paulo; e Matalon é ligado ao corretor Lúcio Funaro, um dos delatores do Mensalão.

Rumos das investigações
Com a falta de respostas, deputados questionaram a escolha dos depoentes e os rumos das investigações, discussões que começaram com a cobrança feita pelo deputado Ivan Valente (Psol-SP) da convocação do empresário Júlio Camargo, do policial civil Jayme de Oliveira, da ex-deputada Solange Almeida e do presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Todos tiveram os nomes envolvidos em suspeitas de pagamento de propina em troca da aquisição de navios-plataforma de duas empresas, a Samsung e a Mitsui, pela Petrobras. Cunha nega as acusações.

“Só estamos ouvindo gente do terceiro escalão no escândalo da Petrobras. Nós não conseguimos trazer para cá quem interessa. Por que não convocamos Júlio Camargo, que é o delator do presidente [da Câmara]? Ele está blindado. O requerimento já foi aprovado há mais de um mês”, disse Valente. O presidente da CPI, deputado Hugo Motta (PMDB-PB), reagiu às críticas à condução da comissão.

Camargo, em processo de delação premiada à Justiça Federal, afirmou que, em 2005, atuou como representante da empresa Samsung para vender para a Petrobras duas sondas de perfuração de águas profundas na África e no Golfo do México. Segundo ele, para fechar o negócio, teria procurado o empresário Fernando Soares, apontado pela Polícia Federal como operador do PMDB no esquema de desvio de recursos da Petrobras.

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Pressões
Camargo admitiu ter intermediado contratos da Samsung e outra empresa, a Mitsui, com a Petrobras e disse que houve pagamento de propina nos negócios. Ele envolveu o nome do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que nega e afirma que o empresário só o mencionou depois de pressionado pelo Ministério Público.

Segundo Camargo, houve pressão de Eduardo Cunha para receber propina pelo contrato, pressão que teria sido feita por meio de requerimentos de informação da Câmara sobre os contratos da Petrobras. Os requerimentos foram enviados a vários órgãos pela ex-deputada Solange Almeida, que negou ter feito isso a pedido de Cunha.

A menção ao presidente da Câmara desencadeou o bate-boca na CPI. “Isso já está enchendo o saco”, reagiu o deputado Celso Pansera (PMDB-RJ), se referindo ao pedido de Valente. “Toda sessão é a mesma cantilena”, completou. O deputado João Carlos Bacelar (PR-BA) também criticou o pedido de Valente. “Tem que ter respeito à Câmara”, disse.